O Nordeste concentra a maior área de manguezais do Brasil, e a Bahia aparece como o estado com maior extensão desse ecossistema na região, com cerca de 82,9 mil hectares. Os dados constam na atualização do Mapeamento dos Manguezais Brasileiros, lançada na terça-feira (18) pelo Ibama, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
No país, os manguezais ocupam cerca de 1,2 milhão de hectares, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste, que juntas reúnem mais de 90% dessa área. No Nordeste, são aproximadamente 694,9 mil hectares, o equivalente a 57% de todos os manguezais brasileiros, segundo a Secretaria do Meio Ambiente.
Nesse cenário, a Bahia reúne cerca de 82,9 mil hectares de manguezais e está entre os estados com maior extensão no Brasil. Os ambientes têm função de proteção da linha de costa, reprodução de espécies marinhas, manutenção de atividades tradicionais e contribuição para o enfrentamento das mudanças climáticas, por atuarem como reservatórios de carbono.
Parte significativa desses territórios está inserida em áreas protegidas. Conforme informações da Secretaria do Meio Ambiente, cerca de 6% dos manguezais em Unidades de Conservação no Brasil estão na Bahia, em um contexto nacional liderado por estados como Maranhão, Pará e Amapá.
O levantamento também aponta que a maior parcela dos manguezais protegidos está em unidades de uso sustentável, como Reservas Extrativistas e Áreas de Proteção Ambiental, que conciliam conservação e a subsistência de comunidades tradicionais.
Durante a cerimônia de lançamento do mapeamento, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou a importância do acesso público às informações. “Os mecanismos de transparência são fundamentais, porque permitem que a sociedade acompanhe e verifique se o que está sendo dito está sendo feito”, afirmou. “Para isso, é preciso ter indicadores, recursos e estrutura, tanto física quanto humana, permitindo que recursos venham da iniciativa privada para a proteção do meio ambiente”, parabenizou Marina.
A agenda contou com participação virtual da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Os órgãos informaram que estiveram envolvidos nas análises técnicas e no envio de contribuições ao longo do processo, que reuniu dados atualizados e novas ferramentas de acesso, como a Plataforma de Análise e Monitoramento Geoespacial da Informação Ambiental (PAMGIA).
Na avaliação do secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré Martins, a iniciativa fortalece a base técnica para a gestão ambiental no estado. “O lançamento ocorre em um momento estratégico para a agenda ambiental, em que os manguezais ganham ainda mais relevância como soluções baseadas na natureza, a exemplo da carta de endosso ao Mangrove Breakthrough, iniciativa global assinada pela Sema durante a COP30, que amplia o incentivo à proteção e ao financiamento dos ecossistemas de manguezais”.
Para Mariana Fontoura, coordenadora técnica do Programa de Gerenciamento Costeiro da Sema (GERCO), o novo Mapeamento traz uma base de dados mais precisa, construída com sensoriamento remoto e validada por especialistas. “Para a Bahia, esse avanço é fundamental, porque passamos a ter uma visão mais detalhada dos manguezais ao longo do nosso litoral, o que qualifica a tomada de decisão e traz mais assertividade ao planejamento e às políticas públicas”.
O evento também apresentou diretrizes do Programa Nacional para Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais (ProManguezal), estruturado em eixos como conservação e recuperação desses ecossistemas, uso sustentável dos recursos naturais, redução de vulnerabilidades socioambientais frente às mudanças climáticas e produção e disseminação de conhecimento e capacitação.
