Os combustíveis vendidos pela Refinaria de Mataripe voltaram a subir na Bahia nesta quinta-feira, 19 de março, em mais uma rodada de reajustes da Acelen. O movimento ocorre em meio à escalada da crise no Oriente Médio, com impacto direto sobre o mercado internacional de petróleo, e num momento em que o governo federal tenta conter a pressão sobre o diesel com desoneração tributária, subvenção e reforço da fiscalização.
Em resposta à volatilidade causada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e às tensões no entorno do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, o governo federal zerou o PIS/Cofins do diesel, criou subvenção de R$ 0,32 por litro e estimou alívio potencial total de R$ 0,64 por litro nas bombas, além de ampliar o poder de fiscalização da ANP.
Na Bahia, porém, a nova tabela da Acelen mostra que a pressão segue forte nas bases de Aratu, Candeias, Itabuna, Jequié e São Francisco do Conde. Em cálculo da reportagem com base nos pontos baianos listados pela empresa, a gasolina A passou de média de R$ 3,314 por litro em 12 de março para R$ 3,742 em 19 de março, alta de 12,9%. No diesel S500, a média subiu de R$ 4,926 para R$ 5,587 por litro, avanço de 13,4%. Já o diesel S10 saiu de R$ 5,032 para R$ 5,693, elevação de 13,1%.
Se considerada toda a sequência de altas nas tabelas baianas, a gasolina acumula avanço médio de 46,3%, enquanto o S500 sobe 74,7 % e o S10, 72,4 % durante o mês de março.
Na gasolina A, os valores mais recentes da Acelen na Bahia vão de R$ 3,7065 por litro em São Francisco do Conde a R$ 3,7910 em Jequié. Em Aratu, o preço foi fixado em R$ 3,7565; em Candeias, em R$ 3,7090; e em Itabuna, em R$ 3,7751. No caso específico de São Francisco do Conde, referência usada pelo mercado baiano, a gasolina A passou de R$ 3,2781 em 12 de março para R$ 3,7065 em 19 de março, aumento de R$ 0,4284 por litro, ou 13,1%.
No diesel, a nova rodada também foi expressiva. O S500 ficou entre R$ 5,5565 por litro em São Francisco do Conde e R$ 5,6422 em Jequié. Em Aratu, o valor chegou a R$ 5,6065; em Candeias, R$ 5,5590; e em Itabuna, R$ 5,6251. Já o S10 variou de R$ 5,6565 em São Francisco do Conde a R$ 5,7422 em Jequié, com Aratu em R$ 5,7065, Candeias em R$ 5,6590 e Itabuna em R$ 5,7251. Em São Francisco do Conde, o S500 subiu de R$ 4,8961 para R$ 5,5565, enquanto o S10 avançou de R$ 4,9961 para R$ 5,6565, ambos com acréscimo de R$ 0,6604 por litro em relação à tabela anterior.
Diferença de preço com a Petrobras
A distância em relação à Petrobras aumentou. No diesel, a estatal informou em 13 de março que reajustou o diesel A vendido às distribuidoras em R$ 0,38 por litro, fazendo o preço médio nacional passar a R$ 3,65 por litro a partir de 14 de março. O patamar fica bem abaixo das tabelas atuais da Acelen na Bahia: em média, o S500 baiano está 53,1% acima desse valor de referência, e o S10, 56,0% acima.
No caso da gasolina, a Petrobras não anunciou reajuste recente semelhante. O parâmetro oficial mais atual no site de preços da companhia indica participação média de R$ 1,75 por litro da Petrobras no preço final da gasolina C no país, considerando a mistura obrigatória de 30% de etanol anidro. Convertido para a gasolina A vendida pela refinaria, isso equivale a cerca de R$ 2,60 por litro. Pela média das bases baianas da Acelen, a gasolina A está hoje cerca de 49,7% acima desse referencial.
O cenário reforça a pressão sobre distribuidoras, transportadores e consumidores na Bahia. Mesmo com as medidas do governo federal para o diesel, o repasse final ao consumidor depende de frete, mistura obrigatória, tributos estaduais, margens de distribuição e revenda.
No estado, o Procon-BA já abriu operação para fiscalizar a formação dos preços e notificou a Acelen e postos para apresentar justificativas e documentos sobre os reajustes praticados. Como a gasolina não foi alcançada diretamente pela desoneração federal, ela tende a seguir mais exposta ao choque externo.
