O peixe Hypsolebias guanambi, espécie de rivulídeo associada à região de Guanambi, permanece na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos. A nova relação foi publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima por meio da Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026, divulgada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 28 de abril.
Na nova portaria, o Hypsolebias guanambi aparece classificado na categoria Vulnerável (VU), dentro do grupo dos peixes continentais, da ordem Cyprinodontiformes e família Rivulidae. A espécie já constava na atualização anterior da lista, feita pela Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022, também na categoria Vulnerável.
A nova norma reconhece oficialmente as espécies de peixes e invertebrados aquáticos da fauna brasileira ameaçadas de extinção e revoga a Portaria MMA nº 445, de 17 de dezembro de 2014. O documento atualiza a lista nacional e mantém sob atenção diferentes espécies de água doce e salgada, além de invertebrados aquáticos.
O caso do Hypsolebias guanambi tem relevância local porque a espécie integra um grupo de pequenos peixes anuais encontrados em ambientes aquáticos rasos, temporários ou isolados, como poças, brejos e áreas marginais de riachos. Esses ambientes são sensíveis a alterações no uso do solo, aterramentos, expansão urbana, abertura de cacimbas e mudanças no regime hídrico.
Desde 2011, estudos já apontavam a importância dos rivulídeos da bacia do Rio das Rãs para a biodiversidade regional. O texto destacava que espécies desse grupo vivem em ambientes muito rasos e costumam ter distribuição restrita, com populações concentradas em áreas próximas, o que aumenta a vulnerabilidade diante da perda de habitat.
A categoria Vulnerável indica que a espécie enfrenta risco elevado de extinção na natureza se as ameaças não forem controladas. Já a categoria Criticamente em Perigo representa um grau mais alto de ameaça, aplicado a espécies em situação considerada mais preocupante.
O trecho da sub-bacia do Rio das Rãs onde é encontrado o peixe, localizado nas proximidades da divisa entre Guanambi e Candiba e pertencente à Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, já havia sido citado em ações de conservação por abrigar espécies raras de rivulídeos. Em 2018, localidades da região passaram a integrar os Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero (BAZE), áreas voltadas à proteção de espécies ameaçadas. Na época, foram citadas espécies como o Hyosolebias fulminantis, Hypsolebias ghisolfii e Cynolebias leptocephalus, também relacionadas a ambientes aquáticos temporários.
Na nova lista de 2026, essas espécies também aparecem com diferentes graus de ameaça, O Hypsolebias fulminantis, classificado como Criticamente em Perigo; o Hypsolebias ghisolfii foi incluído como Em Perigo; e Cynolebias leptocephalus, também como Em Perigo.
Especialistas e instituições que atuam com conservação de peixes anuais já alertavam, desde anos anteriores, para a redução de ambientes naturais favoráveis à ocorrência dessas espécies no entorno de Guanambi. Entre os fatores apontados estavam o avanço de loteamentos, alterações em áreas úmidas e a perda de corpos d’água temporários, ambientes essenciais para o ciclo de vida desses peixes.
Em 2019, o professor Gabriel Cotrim, da área de análise ambiental, informou à reportagem da Agência Sertão que o Centro Universitário UniFG, por meio do Observatório do Semiárido, mantinha parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para mapear a ocorrência de rivulídeos na bacia do Rio das Rãs. O trabalho tinha como objetivo ampliar o conhecimento sobre a distribuição desses peixes e monitorar poças favoráveis à sua ocorrência.
A permanência do Hypsolebias guanambi na lista nacional reforça a necessidade de acompanhamento dos ambientes aquáticos temporários da região. Embora sejam pouco visíveis para a população em geral, esses locais abrigam espécies endêmicas e sensíveis, que dependem diretamente da preservação de áreas úmidas sazonais para completar seu ciclo de vida.
Com a publicação da nova portaria, o Ministério do Meio Ambiente atualiza o reconhecimento oficial das espécies ameaçadas e mantém o Hypsolebias guanambi entre os peixes continentais que demandam atenção em ações de conservação, pesquisa e gestão ambiental.
