IDHM das Unidades Federativas, por faixa de desenvolvimento humano (2024)
mapa IDHM

IDHM da Bahia chegou a 0,759 em 2024, maior valor da série, mas abaixo da média nacional

A Bahia alcançou em 2024 o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da série analisada pelo Radar IDHM, chegando a 0,759. O resultado coloca o estado na faixa de alto desenvolvimento humano e representa avanço de 11% em relação a 2012, quando o índice era de 0,684.

Os dados fazem parte do relatório Radar IDHM: evolução do IDHM e de seus componentes no período de 2012 a 2024, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Fundação João Pinheiro (FJP) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo usa dados da PNAD Contínua e analisa o Brasil, as unidades da federação, regiões metropolitanas e macrorregiões, com recortes por renda, educação, longevidade, raça/cor e sexo.

No cenário nacional, o Brasil chegou a 0,805 em 2024 e entrou, pela primeira vez na série, na faixa de muito alto desenvolvimento humano. A Bahia ficou abaixo da média brasileira e aparece na 23ª linha da tabela nacional do IDHM de 2024, com o mesmo índice registrado pelo Amapá, listado uma posição acima, ambos com 0,759.

Entre os estados do Nordeste, a Bahia ficou em sétimo lugar, atrás de Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Paraíba. O estado ficou à frente de Alagoas e Maranhão, que registraram os menores indicadores da região.

A série histórica mostra que a Bahia teve avanço até 2019, quando chegou a 0,723, mas sofreu queda durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, chegando a 0,698 em 2021. Nos anos seguintes, houve recuperação: o índice passou para 0,734 em 2022, 0,740 em 2023 e 0,759 em 2024. O resultado mais recente ficou 0,036 ponto acima do patamar pré-pandemia.

Entre as três dimensões que compõem o IDHM, a educação foi a que mais avançou na Bahia. O indicador saiu de 0,583 em 2012 para 0,743 em 2024, alta de 27,4%. A melhora foi suficiente para consolidar a dimensão na faixa de alto desenvolvimento humano, apesar da queda observada em 2021.

A longevidade permaneceu como o melhor componente do estado. O índice passou de 0,825 em 2012 para 0,847 em 2024, permanecendo na faixa de muito alto desenvolvimento humano. Mesmo com a redução registrada durante a pandemia, quando chegou a 0,807 em 2021, o indicador voltou a crescer nos anos seguintes.

A renda teve o menor desempenho entre as dimensões do IDHM baiano. O indicador saiu de 0,666 em 2012 para 0,694 em 2024. Apesar da melhora, permaneceu na faixa de médio desenvolvimento humano, próxima ao limite de 0,700, a partir do qual passaria à faixa de alto desenvolvimento humano. O dado mostra que a renda segue como o principal fator de restrição ao avanço do índice estadual.

Quando o IDHM é ajustado pela desigualdade, o indicador da Bahia cai de 0,759 para 0,589. A perda calculada pelo estudo foi de 22,4% em 2024. O percentual é menor do que o registrado em 2012, quando a perda era de 28,1%, mas ainda indica que a média estadual não reflete de forma igual as condições de vida dos diferentes grupos sociais.

A maior perda pela desigualdade aparece na renda, com 31% em 2024. Em seguida estão educação, com perda de 23%, e longevidade, com 11,9%. O resultado reforça que o avanço médio do desenvolvimento humano no estado ainda convive com diferenças relevantes na distribuição de renda, escolaridade e condições de vida.

O recorte por raça/cor mostra redução da distância no IDHM geral entre brancos e negros na Bahia. Em 2012, o índice da população branca era de 0,746, enquanto o da população negra era de 0,662, diferença de 0,084 ponto. Em 2024, o IDHM da população branca chegou a 0,808 e o da população negra a 0,744, reduzindo a diferença para 0,064 ponto.

Apesar da redução no índice geral, a desigualdade racial na renda teve leve aumento no período. O IDHM Renda da população branca passou de 0,720 em 2012 para 0,751 em 2024. Entre a população negra, o indicador saiu de 0,648 para 0,677. Com isso, a diferença passou de 0,072 para 0,074 ponto.

Na educação, a distância entre brancos e negros diminuiu de forma mais expressiva. O IDHM Educação da população branca passou de 0,644 para 0,775 entre 2012 e 2024. Entre a população negra, o avanço foi de 0,566 para 0,736. A diferença caiu de 0,078 para 0,039 ponto.

O recorte por sexo mostra desempenho superior das mulheres no IDHM ajustado da Bahia. Em 2024, o índice feminino chegou a 0,780, enquanto o masculino ficou em 0,732. A diferença é influenciada principalmente por longevidade e educação.

Na longevidade, as mulheres alcançaram índice de 0,914 em 2024, contra 0,782 dos homens. Na educação, o indicador feminino chegou a 0,787, enquanto o masculino ficou em 0,696. A situação se inverte na renda: o índice dos homens foi de 0,721, contra 0,659 das mulheres.

A Região Metropolitana de Salvador apresentou resultado superior ao conjunto do estado. O IDHM metropolitano chegou a 0,803 em 2024, entrando na faixa de muito alto desenvolvimento humano. Em 2012, o índice era de 0,752. A série também mostra impacto da pandemia na região, com queda de 0,795 em 2019 para 0,740 em 2021, seguida de recuperação nos anos seguintes.

Os dados indicam que a Bahia encerrou a série com o maior IDHM do período analisado e acima do nível pré-pandemia. A evolução foi puxada principalmente pela educação e pela recuperação da longevidade. No entanto, a renda, as desigualdades raciais, a diferença entre homens e mulheres no mercado de trabalho e o contraste entre a Região Metropolitana de Salvador e o conjunto do estado continuam limitando uma melhora mais equilibrada do desenvolvimento humano.

Guia rápido

O que é o IDHM: indicador que mede desenvolvimento humano a partir de renda, educação e longevidade.

IDHM da Bahia em 2024: 0,759.

Faixa de desenvolvimento: alto desenvolvimento humano.

Crescimento desde 2012: 11%.

Melhor dimensão da Bahia: longevidade, com 0,847.

Dimensão que mais avançou: educação, de 0,583 para 0,743.

Principal limite: renda, com 0,694, ainda na faixa de médio desenvolvimento humano.

Posição nacional: Bahia aparece na 23ª linha da tabela, empatada em valor com o Amapá.

Posição no Nordeste: 7º lugar.

Região Metropolitana de Salvador: 0,803, na faixa de muito alto desenvolvimento humano.

Fonte usada para conferência: Radar IDHM, relatório elaborado por PNUD, FJP e IBGE, com dados da PNAD Contínua.

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