Foto: Almiro Lopez / Correio

Estimular um maior engajamento dos fiéis e cidadãos em geral sobre as ações que o poder público toma. Este é o objetivo da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema e lema são, respectivamente, Fraternidade e Políticas Públicas e Serás Libertado pelo Direito e pela Justiça. O arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, explicou, em entrevista coletiva, nessa quarta-feira (6), o motivo da escolha.

“As políticas públicas são direitos que todos os cidadãos têm, mas que nem sempre são reconhecidos. Há os que estão na Constituição, mas há outros que precisamos correr atrás. Nós queremos que a sociedade organizada pense: ‘Quais são as nossas maiores necessidades? Onde deveremos injetar a maior parte dos nossos recursos? De que maneira vamos procurar atingir este objetivo?’”, disse.

Dom Murilo afirmou que a escolha foi feita há três anos. Ele também afirmou que não há como ser um “bom cristão” sem ter uma forte participação na sociedade e nas decisões públicas. Para ele, todos os cidadãos podem ajudar de alguma maneira a construir uma sociedade mais justa.

A Campanha da Fraternidade terá 40 dias de duração e acontecerá no período da quaresma. A ação está dividida nos métodos “Ver”, “Julgar” e “Agir”. Com eles, a Igreja pretende que os cristãos reflitam e compreendam como as políticas públicas atingem a vida cotidiana, bem como o que pode ser feito para melhor formatá-las e quais são as possibilidades de se aprimorar a fiscalização.

Ações

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As atividades relacionadas à campanha serão relacionadas pela Ação Social Arquidiocesana (ASA). O órgão da Igreja planeja realizar vigílias, encontros e reuniões com os cristãos e o poder público para colocar em prática o tema proposto. Já está marcada uma sessão ordinária na Assembleia Legislativa da Bahia para discutir o assunto e há a expectativa de que ocorra um debate também na Câmara Municipal de Salvador.

“Uma nova sociedade não nasce por decretos ou leis. Se a queremos justa, devemos construí-la. Imagine o dia que os políticos tiverem essa consciência. O dinheiro será aplicado de forma adequada”, defendeu o arcebispo.

Para o arcebispo, a Igreja tem um papel importante na sociedade e deve dar sua contribuição para construí-la de uma melhor maneira. Ele explica que o objetivo da campanha não é fazer com que a instituição assuma o protagonismo na luta, mas sim que ela estimule o debate para que os cristãos e cidadãos em geral assumam este papel.

“Muitas vezes nós percebemos, numa cidade, estado ou país, que os setores mais necessitados não são vistos ou ouvidos. No momento que despertarmos uma consciência crítica, as pessoas vão dizendo “eu existo, estou aqui, abandonado, preciso de ajuda”, relatou.

A Campanha da Fraternidade foi realizada pela primeira vez em 1961 e anualmente busca discutir temas que visam despertar o espírito comunitário e cristão nas pessoas.

A busca do bem comum, educar para a vida em fraternidade e renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na nova evangelização, na promoção humana em vista de uma sociedade mais justa e solidária também estão entre as metas da igreja.

Gabriel Meira do Correio, com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

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