O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através da Secretaria de Política Agrícola, aprovou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para Cultura de Palma Forrageira, no Estado da Bahia.

A portaria publicada na última quarta-feira (6) no Diário Oficial da União (Dou) trouxe a nota técnica identificando os municípios aptos e os períodos de semeadura, para o cultivo da palma forrageira no Estado da Bahia, em três níveis de risco: 20%, 30%, 40%. São aptos ao cultivo de palma no Estado, os solos dos tipos 1, 2 e 3, não sendo recomendado o plantio em solos com profundidade inferior a 50 centímetros ou muito pedregosos. A portaria também estabelece que as cultivares de palma a serem plantadas devem estar no Registro Nacional de Cultivares (RNC).

Para saber o efeito prático da portaria, a reportagem da Agência Sertão procurou Sérgio Donato, professor do Instituto Federal Baiano – Campus Guanambi e especialista em cultivo de palma. Ele explicou que o Zoneamento Agrícola de Risco Climático tem como objetivo estabelecer diretrizes de plantio. “Com essa portaria, o ministério está indicando quais as épocas ideais para plantio em cada município e tipo de solo, de acordo com a metodologia usada. O objetivo principal é diminuir os riscos da atividade agrícola e também para ter uma norma oficial a nível de financiamento e seguro”, explicou.

Colabore

Se você gosta do conteúdo da Agência Sertão, colabore para o aprimoramento do nosso Jornalismo a partir de R$ 10 por mês e ganhe recompensas exclusivas, saiba mais!

Veja Também: Em parceria com IF Baiano, Epamig lança informe sobre cultivo de Palma 

O professor explica ainda que esta portaria visa oficializar o procedimento de plantio segundo os aspectos levantados pelo órgão no que se refere a tipo de solo e condições climáticas.

A relação de municípios do zoneamento e os períodos indicados para a semeadura podem ser encontrados na íntegra da portaria.

A Palma e sua importância para o Semiárido

A palma é a cactácea forrageira mais cultivada no mundo, sendo bastante encontrada em regiões com baixa disponibilidade hídrica ou alta variabilidade do regime pluviométrico, onde a produção de outras plantas forrageiras é limitada. É uma cultura muito indicada para alimentação animal, por ser um alimento fonte de carboidratos, minerais, vitaminas e possuir elevada digestibilidade, além de ter bastante aceitabilidade pelos rebanhos.

Por apresentar alta capacidade de reserva de água, a palma forrageira também pode ser usada na dessedentação dos animais durante a estiagem. Quando bem manejada, a cultura pode ser conduzida por vários anos com colheitas sucessivas em intervalos de tempo de até 24 meses ou a depender da demanda de fornecimento de alimentos para os animais, o que pode antecipar o corte da cultura.

Segundo o levantamento do Mapa, os melhores cultivos ocorrem em locais com precipitação pluviométrica entre 368,4 a 812,4 mm ano-1, todavia podem ser incentivados em áreas que atingem até 1089,9 mm ano-1. No Brasil, as suas áreas de cultivo se concentram no Agreste e Sertão Nordestino, que possuem a magnitude e a sazonalidade das condições meteorológicas bem distintas entre si.

Metodologia

Segundo a Nota Técnica do Mapa, a identificação foi realizada com a aplicação de um modelo de balanço hídrico da cultura. Neste modelo são consideradas as exigências hídrica e térmica, duração das fases fenológicas e do ciclo e, da reserva útil de solos para cultivo desta espécie, bem como dados de precipitação pluviométrica e evapotranspiração de referência de séries com, no mínimo, 15 anos de dados diários registrados em 3.500 estações pluviométricas selecionadas no país.

Por se tratar de um modelo agroclimático, parte-se do pressuposto que não ocorrerão limitações quanto à fertilidade dos solos e danos às plantas devido à ocorrência de pragas e doenças.

Para delimitação das áreas aptas ao cultivo da palma forrageira em condições de baixo risco, foram adotados os seguintes parâmetros e variáveis: Ciclo e Fases fenológicas, Capacidade de Água Disponível (CAD) e Índice de Satisfação das Necessidades de Água (ISNA).

Deixe uma resposta