Geovane Santos | Agência Sertão

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Estudantes e professores foram às ruas na manhã desta quarta-feira (15) em Guanambi para reivindicarem contra o contingenciamento de recursos da educação pública. O ato faz parte do Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação e acontece em centenas de cidades em todo o país.

Os manifestantes concentraram em frente ao Colégio Modelo, no bairro São Francisco, de  onde saíram em passeata, com cartazes e gritos de protestos, rumo a Praça Gercino Coelho. O ato contou com a presença de servidores e estudantes da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), do Instituto Federal Baiano, e de escolas municipais e estaduais da cidade.

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A pauta principal é referente aos cortes promovidos pelo Governo Federal que chegam a mais de 30% do orçamento de custeio das Universidades e Institutos Federais, além também de cortes no orçamento do Ensino Básico.

Tharcizo Augustho, estudante da pós-graduação da Uneb, explica que estes cortes interferem diretamente na vida dos estudantes, além de afetar o processo reflexivo da população brasileira. “Um país que não tem educação, não tem rumo, precisamos da educação para construirmos uma nação forte. Precisamos formar e informar as pessoas com qualidade e que essa educação liberte, não só para o mercado de trabalho, mas que elas tenham a compreensão da sociedade. Quando você abre mão de promover uma educação de qualidade, você está abrindo mão de uma população crítica, bem informada, bem instruída e que tenha a capacidade de construir enquanto povo atuante na sociedade”.

No IF Baiano – Campus Guanambi, o corte na ordem de R$ 1,86 milhão pode inviabilizar o pagamento de despesas básicas, como água, energia, vigilância e conservação, além da capacitação de servidores e aquisição de equipamentos e insumos essenciais para as atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Estudantes e professores da Uneb também protestaram contra o Governo do Estado por mais investimentos nas universidades estaduais. As aulas na instituição já estão suspensas há mais de um mês devido a uma greve.

Daniel Reis, professor e membro do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação (Sinasefe), esclarece que a iniciativa de aderir a paralisação nacional surge a partir de uma assembleia da categoria composta por professores e técnicos administrativos. “Nós achamos que é importante dar visibilidade aqui na cidade. A paralisação tem um efeito pedagógico de falar e mostrar para a população qual é a situação desses cortes que o governo federal está apresentando para a esfera federal. A nível estadual e municipal a educação também sofre com o descaso governamental. Então estamos aqui para nos manifestarmos em defesa da educação pública, seja ela de que nível for”.

Segundo Daniel não houve uma estimativa de público, mas que o movimento abarcou o que vinha sendo proposto. “Nós conseguimos encher a praça aqui, enfim, estamos qualificando as nossas intervenções. Não é um movimento contra a, b ou c, é um movimento nacionalista, patriótico que defende aquilo que é o mais importante para o nosso pais – a soberania tecnológica e científica que está sendo atacada com esses cortes e inviabilizando a ciência em nosso pais”, critica.

Apesar de ter um cartaz do movimento Lula livre e protestos contra a gestão do presidente Jair Bolsonaro, de forma esporádica, os organizadores enfatizaram nos discursos que a iniciativa do movimento é apartidária. Os manifestantes também protestaram contra a proposta de Reforma da Previdência que tramita no Congresso Nacional.

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