REUTERS/Washington Alves

O delegado da Delegacia de Meio Ambiente de Minas Gerais, Luiz Otávio Paulon, confirmou nesta terça-feira (25) que houve detonação de explosivos dentro do complexo onde fica a mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, antes de a barragem B1 se romper. A Vale, no entanto, nega a detonação antes do colapso.

Segundo a Polícia Civil, essa detonação ocorreu dentro da cava da mina da Jangada, que fica a 1,5 km de distância da barragem B1. As duas minas, tanto Córrego do Feijão quanto da Jangada, ficam dentro do Complexo Paraopeba.

Agora, a investigação precisa verificar se estes explosivos tiveram influência no desabamento da estrutura.

Reportagem do G1 publicada em fevereiro informava que um mês antes do rompimento a Vale havia recebido autorização para fazer obras na barragem que contrariavam recomendações de segurança.

Funcionários divergem sobre horário

Dois trabalhadores que estavam na mina no dia do rompimento afirmaram à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que houve explosões dentro da mina no dia 25 de janeiro. Mas os horários apresentados por eles para a detonação divergem em cerca de 1 hora.

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Um dos depoentes, Eiichi Osawa, mecânico que prestava serviço para a Vale, disse que a detonação teria ocorrido a aproximadamente um quilômetro da barragem por volta das 12h20 e das 12h40. Ele disse que estava de frente para o local e que viu a detonação.

Já a segunda testemunha, Edmar de Resende, que é funcionário da Vale responsável pela detonação, disse que ela só aconteceu às 13h33, uma hora depois do rompimento da barragem. Ele apresentou um vídeo da detonação, afirmou ser o autor da gravação, e tentou comprovar o horário da explosão. Disse ter sido ele próprio que decidiu executar a detonação, porque era perigoso deixar os explosivos no local.

Por meio de nota, a mineradora Vale rebateu a informação da Polícia Civil e afirmou que “não houve detonação nas minas do Córrego do Feijão e Jangada antes do rompimento da barragem”.

Ainda segundo a empresa, as detonações de explosivos são “inerentes à atividade minerária e as recomendações da empresa de auditoria eram conhecidas e consideradas pela área geotécnica na execução das atividades no complexo”. A Vale ainda disse que não recebeu da CPI requerimento sobre os respectivos depoimentos.

Paulon afirma que essas duas pessoas já foram ouvidas e os depoimentos à polícia também apresentaram a divergência de horário. Além deles, o delegado disse que outras testemunhas chegaram a relatar explosões na mina no dia do rompimento.

Segundo o delegado, a Vale já entregou o mapa de fogo, que é um relatório que mostra todo o uso de explosivos no complexo Córrego do Feijão.

“Estamos analisando e já foram apreendidos, e também já foram requisitados e entregues pela própria empresa Vale, documentos e o mapa de fogo. (…) Então, nossa perícia já também está debruçada em cima de analisar se, de alguma forma, essas detonações contribuíram para o rompimento da barragem B1 do Córrego do Feijão”, disse.

Na CPI, os deputados citaram que o laudo de estabilidade emitido pela TÜV SÜD, empresa contratada pela Vale para auditar a barragem, recomendava que não fosse feito nenhuma detonação perto da barragem.

Questionado sobre o laudo, o delegado Luiz Otávio Paulon ressaltou, mais uma vez, que a detonação dentro da cava não estava perto da barragem.

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