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Guanambiense com paralisia cerebral e namorado autista contam história de superação

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Tiago Marqueshttps://agenciasertao.com/
Tiago Marques é redator e editor do site Agência Sertão. Trabalha com produção de conteúdo noticioso para rádio e internet desde 2015.

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“Trabalhar me ensinou a enfrentar as barreiras da sociedade”, assim o #blogVencerLimites, do Estadão iniciou a sua postagem de número 1.000, contando a história de Carlos Eduardo Bueno, de 26 anos, e Cinthia Matos Santos, de 33.

A frase foi dita pelo jovem que tem a Síndrome de Asperger, um tipo de Transtorno do Espectro Autista (TEA), e mora em Pouso Alegre (MG). A outra personagem da história tem paralisia cerebral e vive em Guanambi (BA). Segundo o Blog, o casal se conheceu pela internet, no Facebook, em um grupo de Testemunhas de Jeová e a relação é sólida e tem apoio das duas famílias.

Vencer Limites é um blog sobre (e para) pessoas com deficiência, criado e administrado pelo jornalista Luiz Alexandre Souza Ventura desde 2012.

O blog conta que os dois jovens têm planos de casar e construir uma família. O sonho era distante até ano passado, no entanto, Carlos conseguiu um emprego. Já Cinthia recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O Vencer Limites conta que desde que os dois se conheceram, enfrentam juntos os olhares questionadores e as posturas preconceituosas diante da felicidade e dos sonhos de um homem e uma mulher com deficiência que tiveram a ‘ousadia’ de unir corpo e alma.

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Eles não escondem que se amam. Ao contrário, mesmo à distância, demonstram esse sentimento o tempo todo. E quando estão juntos, fisicamente, passam o tempo sorrindo, trocando carinhos e declarações.

Antes de conseguir um emprego fixo, Carlos Eduardo, diagnosticado ainda na infância com autismo, ajudava nas despesas de casa fazendo manutenção em computadores desde os seus 15 anos, mas era uma atividade autônoma, sem garantias ou renda fixa. O Blog conta que desde o início de 2018 acompanha a trajetória do jovem.

Em janeiro deste ano, ele começou sua vida profissional com carteira assinada, num dos restaurantes do McDonald’s de Pouso Alegre. Para chegar lá, enfrentou muitos obstáculos antes de conseguir de um médico da rede pública o laudo atualizado e preenchido de maneira correta.

O blog ressalta que suas vocações e, principalmente, suas habilidades sociais, sua gentileza e educação, levaram a empresa a incluí-lo independentemente das exigências da Lei de Cotas (nº 8.213/1991).

Depoimentos dos jovens

(foto: arquivo pessoal)

“Trabalhar me ensinou a enfrentar o preconceito e a discriminação, me ensinou a ultrapassar as barreiras da sociedade”, diz Carlos Eduardo, que comemora a conquista da independência financeira. “Também estou juntando dinheiro para realizar nosso sonho do casamento”, conta. “Estou aprendendo a entender as minhas limitações e a lutar por meus direitos”, afirma o jovem.

“Tanto em Guanambi como em Pouso Alegre, as pessoas sempre nos tratam como se fôssemos crianças. E essas mesmas pessoas realmente acreditam que estão certas, que estão ‘cuidando’ da gente, que não é um preconceito”, relata Cinthia.

“É sempre igual. Duvidam que podemos estudar, mas nós nos formamos. Duvidam que podemos namorar, mas estamos juntos há três anos. Duvidam que podemos nos sustentar e duvidam até que sabemos escolher nossas próprias roupas. Não é fácil”, desabafa ela.

“Enxergamos as necessidades dos profissionais com deficiência como um todo. Respeitando os atributos únicos e as perspectivas de cada funcionário, além de incentivar projetos para o desenvolvimento e melhorar as relações com o público interno e externo”, afirma Rozália Del Gaudio, diretora de comunicação corporativa do McDonald’s. “Essas determinações promovem a diversidade e deixam o ambiente mais rico e permite melhor adaptação entre o colaborador e companhia”, ressalta a executiva.

O #blogVencerLimites enviou oito perguntas sobre a empregabilidade das pessoas com deficiência para representantes das quatro principais consultorias brasileiras de RH especializadas em inclusão e diversidade.

As questões foram respondidas por Jaques Haber, cofundador da iigual; Carolina Ignarra, sócia fundadora da Talento Incluir; Tábitha Laurino, gerente sênior da Catho; e Mara Lígia Kiefer, líder de projetos da Social IN. (Confira as respostas)

Emprego para PcD

(foto: arquivo pessoal)

O blog ressalta ainda que o McDonald’s é a empresa que mais emprega pessoas com deficiência no Brasil. São 1.500 atualmente. As iniciativas de inclusão levaram a rede a ganhar o Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência em 2018, organizado pelo governo de SP, por meio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD).

Do total de seus empregados com deficiência, 69% têm deficiência intelectual, 16% têm deficiência física, 10% têm deficiência auditiva e 5% têm deficiência visual. Todos atuam em cargos variados, desde funções ligadas a operações, até gerência e consultoria. O plano de carreira segue da mesma forma para todos os funcionários, sem diferenciação.

“Um dos maiores desafios das empresas é criar um ciclo virtuoso de contratação, treinamento e inclusão eficaz para os funcionários com deficiência. O investimento em áreas e profissionais dedicados exclusivamente ao processo de contratação e gestão de carreira dos trabalhadores com deficiência é fundamental para que esses colaboradores se sintam preparados para os desafios do dia a dia. Por isso, é importante ter esse processo e estrutura para que os profissionais possam se integrar de forma produtiva e mais permanente”, defende a diretora.

Para Rozália Del Gaudio, quando uma empresa contrata pessoas com deficiência apenas para cumprir cota, ela deixa de enxergar a importância da diversidade e, consequentemente, acaba não oferecendo oportunidades iguais para todos.

“É importante ter uma contínua evolução das práticas e processos para que a diversidade e a inclusão não sejam percebidas como algo legalista, mas algo que possibilitará a empresa estar mais conectada com os desafios do seu tempo e melhor preparada para ofertar seus produtos e serviços para uma sociedade cada vez mais demandante de respeito e tolerância”, salienta.

A diretora do McDonald’s menciona os diversos desafios que as pessoas com deficiência enfrentam no Brasil, passando pela jornada de formação até o desenvolvimento profissional. Segundo ela, é preciso ter uma estratégia que converse diretamente com os desafios de contratação e gestão de carreira dos trabalhadores com deficiência, foco é fundamental para que os colaboradores se sintam preparados para os desafios do dia a dia.

“No McDonald’s, contamos com mais de 100 organizações parceiras que nos auxiliam para o melhor desenvolvimento deste perfil de profissional. Todo esse preparo é para que pessoa se sinta acolhida e bem recebida no ambiente de trabalho, para que ela possa desenvolver todo o seu potencial, trazendo produtividade para a empresa”, esclarece Rozália.

A executiva defende que a presença de pessoas com deficiência torna o ambiente de trabalho mais rico, o que contribui para a sociedade entender a importância de conviver com as diferenças.

“Para que as pessoas no ambiente de trabalho, e nos demais ambientes sociais, sintam-se seguras no recebimento e no desenvolvimento das pessoas com deficiência, é necessário que saibam como desenvolver seu papel de apoio ao funcionário com deficiência que está sendo incluído”, explica Victor Martinez, supervisor do Serviço de Inclusão Profissional da Apae de São Paulo, uma das primeiras instituições do Brasil e aplicar metodologias de Emprego Apoiado.

“Ao analisarmos os últimos 25 anos, é notória a evolução do mercado corporativo em relação às pessoas com deficiência, principalmente devido às notificações ocorridas por meio da Lei de Cotas”, comenta Martinez. “No Estado de São Paulo, saímos de 601 pessoas, em 2001, para 130 mil contratações em 2018”, diz.

O supervisor da Apae de São Paulo destaca que, atualmente, as empresas que possuem mais recursos e capacidade de investimento têm setores específicos de diversidade e inclusão.

“Aos poucos, se modifica a lógica da contratação da pessoa com deficiência somente pelo cumprimento da cota, pensando também na qualidade dessas inclusões”, ressalta o especialista.

“Na Apae de São Paulo, trabalhamos com o Emprego Apoiado desde 2013. Somando as inclusões deste ano, alcançaremos em média 3 mil pessoas com deficiência intelectual ou no transtorno do espetro autista incluídas neste período”, conta Martinez.

“Em todos estes anos, nossa taxa de permanência das pessoas que incluímos nunca foi menor que 86%. O Emprego Apoiado, para este público específico, permite que sejam combatidas as barreiras que chamamos de invisíveis, subjetivas, atitudinais. Construindo um projeto estruturado, que desenvolva o apoio individualizado necessário a cada pessoa incluída, o resultado é uma inclusão benéfica à pessoa com deficiência e o ambiente que a recebe”, completa o supervisor do Serviço de Inclusão Profissional da Apae de São Paulo.

 

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