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A Prefeitura de São Paulo comprou 5 000 sacos especiais para enterrar exclusivamente vítimas de coronavírus nos cemitérios da capital. O pedido foi feito de forma emergencial e atende determinação técnica para proteger os funcionários do Serviço Funerário Municipal no manejo de corpos com alto risco de contágio.

Procurada por VEJA, a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) ainda não esclareceu a base de dados usada para calcular a quantidade de material comprada no valor de R$ 256.700. Mesmo assim, os 5 000 sacos dão uma dimensão de que a administração prevê grande alta no número de mortes nas próximas semanas. Segundo funcionários do Serviço Funerário, é a primeira vez que é feita a compra desse tipo de produto. A prefeitura informou que optou pela compra dos invólucros por facilitar o processo de exumação, e que pretende comprar novos lotes independente da epidemia.

No termo de referência, a prefeitura atribuiu a contratação emergencial à pandemia de coronavírus e afirmou atender determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) relacionada ao sepultamento de pessoas infectadas. De acordo com o documento, os corpos devem ser envolvidos em um manto protetor, confeccionado em material impermeável, antes de serem colocados dentro das urnas funerárias. Dos 5 000 sacos, 100 foram pedidos com dimensões para corpos de crianças e adolescentes a partir de 1,40 metro de altura.

Na semana passada, o Cemitério da Vila Formosa, o maior da América Latina, localizado na zona leste de São Paulo, já havia registrado ritmo maior de abertura de novas covas. De acordo com funcionários do cemitério, a alta demanda de sepultamentos tem exigido a abertura de cerca de 100 covas por dia, o dobro do habitual antes da pandemia. Nesta última quarta-feira, 1º, foram realizados 57 enterros no Vila Formosa, antes esse número era por volta de 40.

A epidemia fez também com que a prefeitura dobrasse o contingente de agentes funerários de forma emergencial. Na última semana, 220 funcionários terceirizados passaram a atuar nos cemitérios, número que representa o dobro do efetivo anterior.

Diante da dificuldade do governo do Estado de São Paulo em agilizar a fila de exames de coronavírus enviados ao Instituto Adolfo Lutz, referência nas análises clínicas dos casos, há um alto grau de subnotificação de casos confirmados e mortes causadas em decorrência da covid-9. Atualmente, há mais de 20.000 testes à espera de resultados no instituto.

Segundo a Veja, para evitar a disseminação do vírus nos cemitérios, corpos de pessoas que morreram com sintomas da doença, como insuficiência respiratória, são sepultados em caixões lacrados. Os velórios foram limitados a até 10 minutos e com presença limitada de até 10 pessoas. O aumento de enterros nesses moldes tem desabastecido os funcionários de equipamentos de segurança individual, embora a administração municipal garantir que tem aumentado a compra desses materiais.

De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo é o epicentro da epidemia no país com 6.708 casos confirmados e 428 mortes calculadas até a tarde desta quarta-feira (8).

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