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Moradores do município de Rio Casca, na Zona da Mata de Minas Gerais, estão preocupados com a contaminação das águas do rio que da nome da cidade. O desastre ambiental começou a ser percebido na madrugada da última sexta-feira (1º), quando peixes e até capivaras apareceram mortos às margens do curso d´água.

Segundo informações da Polícia Militar de Meio Ambiente, a provável causa da contaminação foi o rompimento de uma barragem de rejeitos de suinocultura no município de Urucânia. Nesta segunda-feira (4), os órgãos ambientais do Estado devem divulgar um relatório com as reais causas da contaminação do rio Casca.

O Núcleo de Emergência Ambiental (NEA), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e a Perícia Técnica farão alguns procedimentos para que a Polícia Militar possa concluir a fiscalização. O Ministério Público do Estado também será acionado para compor as investigações.

Ainda segundo a Polícia de Meio Ambiente, a lagoa que se rompeu recebe os dejetos sem tratamento da granjas onde são criados os suínos. O dejetos se espalharam por uma área de vegetação nativa e pastagens e por quintais de pelo menos cinco famílias até atingir um córrego e chegar ao rio. O volume estimado da lagoa é de 12 mil m³ de dejetos.

Os policiais fizeram um rastreamento da área e encontraram a propriedade onde aconteceu o rompimento. Uma notificação foi lavrada a fim de que o proprietário da suinocultura apresente o licenciamento do empreendimento, inclusive o projeto técnico da lagoa de dejetos onde houve o rompimento.

Na fiscalização, foi constatado que o solo cedeu em uma das laterais e no fundo da lagoa, vindo a romper a lona impermeabilizadora da lagoa, e por consequência abriu uma cratera no talude, com dimensões aproximadas de 4 metros de largura por 5 metros de comprimento por 5 metros de profundidade, em formato oval, por onde os dejetos escoaram.

A estimativa da polícia é de que a contaminação tenha causado a morte de mais de uma tonelada de peixes das espécies pacu, carpa, lambari, cascudo, caranha piau, tilápia e dourado, além dos outros animais. Pescadores e população ribeirinha estão preocupados com os impactos da poluição.

“Não é de hoje que esse rio é maltratado, principalmente pelos produtores de porco. E, dessa vez, parece que eles erraram a mão feio. O que mais me preocupa agora é o consumo da água pelo povo de Rio Casca, para beber, para tudo. Esse rio abastece a cidade toda”,  disse um morador.

A Copasa, responsável pelo abastecimento de água na cidade, disse que monitora a situação da qualidade da água e que não foi necessário suspender a captação no rio. “O abastecimento de água para consumo da população não foi comprometido, sendo seguro o consumo da mesma”, diz a Copasa e a Agência Nacional das Águas (ANA)”.

o rio Casca é um dos principais afluentes do rio Doce. O local do rompimento fica a aproximadamente 50 Km da sua foz, na divisa com o município de São Pedro dos Ferros. Em 2018, o rio foi contaminado por toneladas de minério de ferro que vazou do rompimento de um mineroduto da empresa Anglo American Minério de Ferro S.A que corta a região. Em 2017, após chuvas intensas, o rio transbordou e causou inundações na cidade e em distritos.

 

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