Foto: Agência Sertão

O vento está soprando forte e constante nos últimos dias em Guanambi, afinal, agosto é o mês onde a intensidade deste fenômeno típico da região geralmente chega no seu ponto máximo. Bom para as empresas de energia eólica, que faturam mais com a produção de energia elétrica. Elas estão instaladas na região justamente por conta dessa característica.

Em Guanambi, onde a altitude é bastante inferior (515 m) em relação aos locais de instalação das torres eólicas (mais de 900m), as rajadas chegaram à casa de 18,4 m/s, o equivalente a 66,2 km/h. O registro foi feito por volta das 22h, na estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada no Aeroporto Municipal Isaac Moura Rocha.

As rajadas da noite desta quinta-feira foram as mais fortes registradas desde o início do ano. Em 2019, na manhã de uma sexta-feira, 16 de agosto, os ventos foram ainda mais fortes, 19,1 m/s  (68,8 Km/h).

Durante a madrugada e manhã, o vento continuo forte e intenso. Já temperatura não caiu muito, registrando mínima de 19,7ºC ao amanhecer. No entanto, devido aos ventos, a sensação térmica chegou à casa dos 15ºC. Não há registros de danos provocados pelos ventos.

Segundo os institutos de meteorologia, o vento deve continuar forte nos próximos dias e no decorrer da próxima semana. Com a chegada do fim do inverno, o clima fica bastante seco em toda a região e a umidade relativa do ar deve cair abaixo de 15% nos períodos mais secos do dia.

A população começa viver com outro fenômeno característico do clima local, a alta amplitude térmica. Devido à baixa umidade do ar, as temperaturas caem abaixo de 20ºC Com o avançar do dia, começa a fazer calor a tarde, com temperaturas acima dos 30ºC. A partir de meados de setembro, a diferença entre as temperaturas mínimas e máximas devem passar de 15ºC. Essa variação brusca na temperatura é chamada popularmente de “clima de deserto”.

Previsão de Chuva

Guanambi completou 135 dias de estiagem agrícola neste domingo (123), período sem chuvas de pelo menos 10 mm. As previsões para o início do período chuvoso ainda são incertas, mas os principais modelos meteorológicos apontam que as primeiras chuvas expressivas na região devem ocorrer em meados de outubro.

Em setembro, os modelos apontam pouca probabilidade de chuva, podendo ocorrer apenas algumas pancadas de forma isolada em algumas regiões.

Última temporada chuvosa

Cheia do riacho Belém em Guanambi no mês de Janeiro – Rômulo Gonçalves – Take Produções

As chuvas que caíram entre o final de 2019 e início de 2020 na região de Guanambi foram as maiores desde 2006. No centro da cidade, o pluviômetro da Agência Sertão registrou acumulado de 802 mm, 200 mm a mais do que o registrado pelo mesmo pluviômetro no período anterior. Em algumas regiões mais altas, próximas à Serra Geral, como nas regiões dos distritos de Guirapá (Pindaí) e Morrinhos (Guanambi), alguns moradores registraram acumulados de até 1.100 mm.

Toda essa chuva contribuiu para amenizar a seca característica da região. Embora ainda falte pelo menos dois meses para as próximas chuvas, a paisagem vista agora é bem diferente do que se via há um ano. Ainda há bastante água retida nas lagoas, barragens e represas, e ainda corre por alguns rios e córregos nas regiões de maior altitude, o que é bastante raro nesta região semiárida.

Reservatórios

Lago da Barragem de Ceraíma – Guanambi (BA) / Foto: Tiago Marques | Agência Sertão

Os principais reservatórios de água de Guanambi perderam pouco volume após 105 dias de estiagem. O lago da barragem do Poço do Magro atingiu seu maior volume no final de abril, 69%. Passados três meses, o volume ainda está em cerca de 62%, segundo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf).

Já a barragem de Ceraíma chegou a 100% de sua capacidade ao final do período chuvosos. Mesmo com o uso múltiplo da água, incluindo abastecimento do Perímetro Irrigado e entorno, além da complementação do sistema de abastecimento humano, o reservatórios ainda possui 91,5% de sua capacidade.

Os dois reservatórios do município de Urandi, Estreio e Cova da Mandioca, estão em situações diferente dos reservatórios de Guanambi. O primeiro chegou a ter 44% de seu volume útil no fim de abril e agora está com 30%, enquanto o segundo atingiu 21% e agora está com apenas 12%.

Rio São Francisco

Rio São Francisco em Carinhanha (BA) – Foto: Tiago Marques | Agência Sertão

Os três grandes reservatórios do rio São Francisco estão com volumes bastante significativos. Três Marias, em Minas Gerais, armazena 77,96% de sua capacidade, enquanto Sobradinho e Itaparica, ambos na Bahia, têm 75,78% e 84,22% respectivamente.

O bom volume nas hidroelétricas garante a defluência regulada em todo o curso do Velho Chico, deixando no passado as imagens do rio bastante seco registradas nos anos anteriores.

Veja: Após seca mais severa da história, rio São Francisco tem maior cheia em oito ano

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