O termo que se popularizou em 2016, durante as eleições norte-americanas, designa notícias falsas. Com objetivo oposto ao que caracteriza a notícia jornalística, que é informar, as fake news são narrativas fabricadas ou alteradas, disseminadas nas redes sociais, com finalidade de desinformar e manipular os indivíduos, sobretudo, para angariar capital político para grupos específicos.

As fake news caracterizam-se, ainda, pela forma coordenada e planejada de propagação massiva, cujo propósito é atingir milhares de pessoas com uma única postagem. Segundo pesquisa realizada, em 2018, pelo Instituto de Tecnologia de Massachuttes, enquanto uma notícia chegava, em geral, a 1.000 acessos, as principais fake news tinham até 100.00 mil pessoas lendo.

Para Tatiana Dourado, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas, as fakes news, que perpassam o nosso cotidiano hoje, são histórias que forjam evidências para simular fatos, e, assim, disseminar desinformação. Segundo ela, “de forma direta fake news podem ser entendidas como falsificações distribuídas digitalmente para disputar o sentido de notícia, de novidade, de algo inclusive urgente, que precisa ser compartilhado porque é grave, porque é de interesse público, porque afeta diretamente a vida daquele indivíduo ou daquele grupo social, ou daquelas pessoas que pensam daquela forma”.

A conscientização da sociedade sobre a existência das fake news é essencial para o seu combate. Reconhecer a presença e atuação desse fenômeno, no contexto digital, é fundamental para impulsionar os indivíduos a questionarem a credibilidade das fontes e, consequentemente, verificarem a veracidade das mensagens recebidas, sobretudo, pelos aplicativos mais popularizados, difusores importantes de fake news.

Tatiana Dourado, pesquisadora em democracia digital, continua: “acredito que hoje, depois do caso de 2018 e agora diante da pandemia, talvez tenhamos, nós a sociedade como um todo, maior consciência de que elas de fato existem. Isso é ótimo, inclusive porque, mais do que nunca, o papel de verificar fatos, o papel de, enfim, checar se a informação ou mensagem que recebeu pelo aplicativo é verídico ou não, isso se tornou parte da rotina dos indivíduos nesse contexto de centralidade das mídias sociais.”

Com o Projeto de Lei 2630/2020, conhecido como PL das Fakes News, o debate em torno do assunto ganhou mais atenção nos últimos dias. Para Veridiana Alimonti, analista sênior de políticas públicas para América Latina da Eletronic, uma das preocupações quanto a fake news é a desinformação, que se dá de forma coordenada e que pode ocasionar efeitos perigosos nos processos democráticos.

Nesse sentido, ela ressalta, ainda, a necessidade de cautela no que se refere aos vários aspectos que envolvem as possibilidades de combate: “acredito que, nos debates em relação ao PL de Fake news no Brasil, se foi dando mais atenção a essa questão da atividade maliciosa coordenada, o comportamento coordenado inautêntico, mas também precisamos ter cuidado quando pensamos em como combatê-lo, e, por exemplo, não recorrer a obrigações gerais de identificação dos usuários, não recorrer a obrigação de rastreabilidade de mensagens criptografadas, entre outras questões que estão em debate ou que foram parte do debate, do PL  que  foi aprovado no senado e agora está na Câmara”.

Polêmicas Contemporâneas em casa, uma disciplina-evento oferecida pelo Departamento de Educação II da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, discutirá na próxima segunda-feira (19) – “Fake news existe?”, e contará com a participação de Angelo Coronel, senador e relator da PL das fake news, Tatiana Dourado, pesquisadora da FGV, Pablo Bello, diretor de políticas públicas do Whatsapp para América Latina, Veridiana Alimonti, analista sênior de políticas públicas para América Latina da Eletronic e Renata Mielli, secretária geral do centro de estudos da mídia alternativa Barão de Itararé.

A transmissão é aberta e livre e pode ser acompanhada no Canal Polêmicas Contemporâneas em http://www.polemicas.faced.ufba.br/.

Yasmin Santos, projeto Sê Livre/UFBA, estudante de Comunicação da FACOM/UFBA.

*Este texto faz parte do projeto “Polêmicas contemporâneas em casa”, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A Agência Sertão atua como veículo parceiro na divulgação dos conteúdos.

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