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Às vésperas da eleição, Jairo Magalhães é envolvido em escândalo com rachadinha e ocultação de patrimônio

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Tiago Marqueshttps://agenciasertao.com/
Tiago Marques é redator e editor do site Agência Sertão. Trabalha com produção de conteúdo noticioso para rádio e internet desde 2015.

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Na reta final da eleições em Guanambi, uma revelação expôs uma situação no mínimo constrangedora para o prefeito Jairo Magalhães. Em um vídeo, gravado por uma ex-funcionária comissionada da Prefeitura de Guanambi, foi atribuído ao prefeito supostos crimes como ocultação de patrimônio e peculato, além de uma relação de assédio moral e machismo. A gravação foi divulgada nas redes sociais e tem um corte no início, no entanto, o contexto é claro quanto à situação relatada.

Sentindo-se injustiçada ao ser envolvida em situações privadas atreladas à administração pública, Ionara dos Santos, ex-mulher de Jaildo Teixeira Silveira, o Jajau (Avante), primo do prefeito e candidato a vereador, relatou no vídeo ter sido vítima de uma série de assédios por parte do ex-marido e do prefeito.

Ela denunciou que foi obrigada a devolver parte dos salários, crime de peculato que ficou popularmente conhecido como rachadinha, sendo o beneficiário neste caso o próprio prefeito, desde quando ele ainda era secretário municipal de Planejamento da gestão passada, por meio de uma empresa da família e de Jajau.

O assunto também envolve a propriedade de dois terrenos medindo juntos 27 mil metros quadrados, localizados no bairro Industrial e avaliados em mais de um R$ 1,1 milhão. Declarados em seu nome, Jajau admitiu em um áudio gravado por Ionara que os terrenos não são dele e que, portando, com o divórcio dos dois, ela não teria direito à parte que lhe cabia. A conversa leva a crer que o verdadeiro proprietário é o prefeito Jairo Magalhães.

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De fato, o documento que a Agência Sertão teve acesso mostra que os terrenos pertenciam a Jairo e à sua esposa Gabriela Boa Sorte. A transferência para Jaildo foi efetuada em 2012, por meio de contrato de venda e compra, no valor de R$26.960,00, ou seja, um real por metro quadrado, quase 50 vezes menos do que o valor de avaliação declarado atualmente.

O bairro Industrial é um loteamento público criado pela prefeitura para fomentar a atividade industrial no município. No entanto, uma grande área, correspondente a quase três campos de futebol, encontra-se inutilizada e com sérias suspeitas sobre a sua real propriedade.

Este assunto já havia ganhado os noticiários quando o nome de Jajau apareceu na lista do Tribunal de Contas da União (TCU) de candidatos às eleições municipais com patrimônio declarado superior a R$ 300 mil. Ao se candidatar, ele declarou possuir patrimônio de mais de R$ 1,22 milhão, sendo a maior parte justamente os terrenos. Jajau negou que tenha solicitado o auxílio e disse que embora o dinheiro tenha sido depositado em uma conta digital em seu nome, jamais sacou os valores.

Desde a ascensão de Jairo ao poder em 2017, Ionara ocupou cargo no terceiro escalão no Departamento de Informações, da Secretaria Municipal de Planejamento, em que permaneceu até outubro de 2019. Antes, quando o prefeito ainda era secretário na gestão anterior, ela ocupou cargo de menor expressão, mas afirmou que sempre precisou repassar parte de seus salários para a empresa da família do prefeito ou para o então marido Jajau. Segundo Ionara, a promoção foi proporcional ao aumento da parte do salário devolvido.

A situação causou desgaste no relacionamento conjugal e resultou na separação do casal e na consequente exoneração de Ionara do cargo que ocupava na prefeitura. Ela alega que não recebeu suas verbas rescisórias, sendo chantageada a desistir do processo de partilha de bens que incluía os terrenos citados.

Comprovante de transferência e recibo mostra suposta devolução de salário de servidor público para esquema.

Como provas, Ionara apresentou ao seu advogado o comprovante de uma transferência para a empresa do ramo de pneus da família do prefeito, datado de 29 de novembro de 2018, no valor de R$ 1.660,96, com uma anotação na identificação de operação com a descrição “meu salário”. Também apresentou um recibo ao ex-marido, no valor de R$ 1.500,00, onde anotou que seria parte do seu salário entregue a mando do prefeito. O recibo tem uma assinatura que seria de Jaildo. A Guarecompe, empresa da família do prefeito, informou que o depósito é referente ao pagamento de duas compras de pneus efetuadas por Jaildo, afirmando ainda que não participou das irregularidades. (veja nota ao fim da matéria).

Ainda foi exposta uma gravação de uma ligação com Jairo em que ela cobra o pagamento de seus direitos trabalhistas. No áudio é possível ouvir a voz do prefeito que diz que ela teria que resolver a questão de sua rescisão, ou seja, pendências da administração pública municipal, com o seu ex-marido, que oficialmente não faz parte da gestão.

Jairo: – Alô!
Ionara: – Oi, prefeito, bom dia!
Jairo: – Bom dia
Ionara: – Quem tá falando é Ionara, é sobre o pagamento da minha rescisão.
Jairo: – Eu já falei Nara, você tem que falar com Jajau.
Ionara: – Não, mas eu não tenho nada para conversar com Jailton não.
Jairo: – Mas precisa, tem, tem muita coisas que vocês precisam conversar.
Ionara: – Não, eu não tenho nada para conversar com ele.
Jairo: – Tem sim
Ionara: – O processo é todo em questão do meu trabalho na prefeitura.
Jairo: – O que tá chegando aqui pra mim é que vocês precisam conversar e muito.
Ionara: – Não, eu não tenho mais nada para conversar com Jaildo não.
Jairo: – Então tá bom, vou ver com ele qual o problema.
Ionara: – E em relação a minha rescisão prefeito?
Jairo: – Eu vou falar com ele, tá bom?
Ionara: Então eu tô aguardando.
Jairo: – Tá ok então.

Em outra gravação obtida com exclusividade pela Agência Sertão, Ionara conversa com o ex-marido e ele afirma que os terrenos em seu nome não são dele e diz que o prefeito está disposto a readmiti-la caso ela desista do processo de partilha dos bens.

Jaildo: – Deixa eu te falar, eu conversei lá.. a gente vai resolver a situação o seguinte, tirar o processo, você sabe que o terreno não é meu. Se fosse meu você já teria esse terreno nas suas mãos há muito tempo. Tirar o processo.
Ionara: – O terreno é seu sim Jau.
Jaildo: – Nara, você sabe que não é, não vou entrar em discussão nisso, você vai ficar rebatendo. O terreno não é meu, isso é fato. Tanto é que você falava, Oh Jaildo, vai perder o seu terreno… quando eu tive dinheiro para comprar terreno? Você tira o processo, o terreno é da pessoa. E com relação a aquele acordo que foi feito com daquele valor, a gente tá negociando com o banco para pegar aquela reserva e completar e renegociar a dívida com o banco. Aquele valor que tava sendo passado. Então é para resolver isso daí.
Ionara: – Que valor?
Jaildo: – O dinheiro que você pagava mensal que tava com você.
Ionara: – No caso, a proposta sua no caso é para eu tirar o negócio do juiz lá e passar para vocês o negócio do salário.
Jaildo: – O dinheiro do banco e para resolver isso ele tá disposto a te readmitir também…
Você tem que ter consciência que esse terreno não é meu, você participou de toda a negociação e teve em todas as etapas juntos. “Isso foi feito uma Joga(da) uma parceira e passado para o meu nome”.

O diálogo segue narrando uma séria de práticas ilegais e a existência de um acordo para que Ionara devolvesse parte de seus salários. O nome de Jairo Magalhães é citado várias vezes na conversa.

Segundo o advogado de Ionara, Eunadson Donato, que também é advogado da coligação adversária a Jairo Magalhães, Ionara relatou que se viu forçada a se desfazer da casa onde morava para criar uma empresa de peças. Meses depois foi pressionada a deixar a empresa e começar a trabalhar na prefeitura sob a condição de devolver parte dos salário. O caso fica ainda mais mal esclarecido pelo fato da empresa criada por Ionara, ter possuído em seu quadro societário a esposa do prefeito Jairo Magalhães, Gabriela Boa Sorte.

“A minha cliente foi vítima de abuso de autoridade, atitudes machistas e todo tipo de assédio moral possível. Ela foi manipulada em uma jogada que mistura de maneira escandalosa o patrimônio público e privado, ocultação de patrimônios e improbidade administrativa. De ante de sua impotência frente às injustiças, ela decidiu expor todo a situação neste momento em que todas as atenções estão voltadas para o pleito eleitoral, onde cada cidadão tem o dever de escolher os gestores comprometidos com o interesse coletivo e não apenas individual”, disse.

Em suas redes sociais, no fim da tarde desta sexta-feira (13), o prefeito gravou um vídeo dizendo que o assunto se trata de fake news e que a justiça foi acionada para punir os responsáveis pela divulgação das denúncias. Ele disse ainda que foi envolvido em uma briga de marido e mulher, mas não apresentou nenhuma defesa sobre as acusações. “A fábrica de fake news da oposição, que atua desde o início da campanha eleitoral, continua com seu jogo sujo. Mas a justiça já foi acionada. Minha conduta é séria e honesta. Sempre foi e sempre será assim. A população dará a resposta nas urnas no domingo. Essa maldade não ficará impune! Que Deus nos abençoe.

Jajau também foi procurado para comentar o assunto e disse que não vai se pronunciar no momento. “Não falarei sobre o fato, minha assessoria jurídica dará as informações no momento adequado”, disse. O espaço continua aberto para os devidos esclarecimentos, caso seja de interesse das partes citadas na matéria.

A Guarecompe, empresa de familiares do prefeito emitiu uma nota refutando que tenha recebido dinheiro por conta de participação em qualquer esquema, apresentando duas notas fiscais de venda de pneus para Jajau. Somadas elas têm o mesmo valor do depósito feito por Ionara.

Veja a nota de esclarecimento:

A GUARECOMPE empresa atuante no comércio guanambiense há 44 (quarenta e quatro) anos, está sendo vítima de ataques virtuais pelas redes sociais, onde lhes são atribuídas acusações difamatórias que não condizem com a ética que acompanha seus sócios e funcionários por décadas.

Nossa empresa que conta com imagem ilibada, nunca se envolveu em questões além do comércio e da indústria, comprometida sempre na prestação de um serviço de excelência e melhoria do atendimento ao consumidor, não possuindo interesse político-partidário.
De acordo veiculado nas redes sociais, há um comprovante de depósito bancário no importe de R$ 1.660,96 (hum mil e seiscentos e sessenta reais e noventa e seis centavos), na conta bancária da Guarecompe.

Esclarecemos que o valor depositado foi para quitação de um débito no valor total de R$ 1.660,00 (hum mil e seiscentos e sessenta reais), em nome de Jaildo Teixeira Silveira, que é ex-marido da mesma, sendo um no valor de R$ 480,00 (quatrocentos e oitenta reais), e outro de R$ 1.180,00 (hum mil cento e oitenta reais), conforme Notas Fiscais que podem ser livremente consultadas.

O recibo no valor de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) também veiculado nas redes sociais e supostamente assinado pelo Jaildo, não tem nenhuma relação com a empresa.
Em razão do período eleitoral pessoas utilizam de artifícios maldosos para manchar a imagem de inocentes, visando destruir reputações sem preocupar-se com as repercussões destas atitudes impensadas.

Estamos serenos, a verdade prevalecerá, todas as acusações deverão ser comprovadas judicialmente, pois os responsáveis responderão na esfera cível e criminal pelos seus atos.

Veja as notas fiscais aquiaqui

Atualizado às 19h58 para acrescentar a nota da Guarecompe

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