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Segundo o estudo do Programa de Pesquisa Intramural da Fundação Oswaldo Cruz (Friocruz), publicado em junho de 2020, o Brasil teve uma enorme queda de vacinação, principalmente, em crianças e bebês. Diversos fatores corroboram para que a taxa de imunização no país caia. Uma delas é o alto índice de pessoas imunizadas que gera uma crença de inexistência de determinadas doenças. A pandemia, causada pela covid-19, reacendeu debate sobre como combater essa queda.

As vacinas são a principal solução para o controle de doenças que a humanidade conseguiu desenvolver. Entretanto, até o momento, para combater o coronavírus, segundo a epidemiologista, Lígia Kerr, “o mundo todo só conseguiu evitar a doença atendendo a medidas não farmacológicas, como o distanciamento social, o uso de máscara, medidas de higiene como o uso de água, sabão e álcool”.

Em tempo recorde, várias empresas conseguiram chegar ao final da fase 3 dos testes para os diferentes tipos de vacina do Sars-Cov-2. No entanto, a epidemiologista chama a atenção para as implicações para a distribuição equitativa das vacinas: “parece que essa questão vai ser mais uma batalha porque as vacinas não serão produzidas em quantidade suficiente para todos. Os países mais ricos já estão reservando quantidades significativas para si. Mesmo assim é possível que mesmo nesses países mais ricos, somente em junho de 2021 seja possível que toda a população consiga se vacinar”.

Com 212 vacinas sendo desenvolvidas em todo o mundo, 48 delas já estão em fase de testes. Para Manoel Barral, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), dois pontos estão sendo essenciais para as vacinas nesta fase. O primeiro é a sua segurança “o que tem sido mostrado é a efetividade, a proteção conferida. Falta ver se essas vacinas realmente na sua utilização em grandes números na população são seguras”.

Manoel Barral alerta também para o outro aspecto que tem sido pouco abordado que é os desafios presentes no processo de vacinação contra o novo coronavírus em larga escala “uma coisa é ter um boa vacina, outra coisa é conseguir vacinar muita gente. Esses desafios não são pequenos, tanto pelo custo das vacinas tanto por toda a cadeia até realmente vacinar toda a população. É também necessário que a gente analise com muito cuidado, nas nossas condições, como será feita essa vacinação de grande parte da população no mais curto espaço de tempo possível”.

Polêmicas Contemporâneas em casa, uma disciplina-evento oferecida pelo Departamento de Educação II da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, discutirá na próxima segunda “Vacinas em debate”, e contará com a participação do pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Manoel Barral, da presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pastenak, do médico, Reinaldo Guimarães e da epidemiologista Lígia Kerr.

A transmissão é aberta e livre e pode ser acompanhada no Canal Polêmicas Contemporâneas em http://www.polemicas.faced.ufba.br/.

Yasmin Santos, projeto Sê Livre/UFBA, estudante de Comunicação da FACOM/UFBA.

*Este texto faz parte do projeto “Polêmicas contemporâneas em casa”, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A Agência Sertão atua como veículo parceiro na divulgação dos conteúdos.

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