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Rio Carnaíba de Dentro permaneceu dentro do leito em Guanambi, mesmo com aumento da vazão em Ceraíma

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Tiago Marqueshttps://agenciasertao.com/
Tiago Marques é redator e editor do site Agência Sertão. Trabalha com produção de conteúdo noticioso para rádio e internet desde 2015.
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Devido ao risco de alagamentos causados pelo aumento de vazão de vertimento da Barragem de Ceraíma, iniciado na madrugada de domingo (9), o grupo de trabalho criado pela Prefeitura de Guanambi realizou uma ação em uma das ruas do bairro Liberdade, localizada às margens do rio Carnaíba de Dentro. Algumas famílias retiraram móveis de suas casas na noite desta segunda-feira (9) com medo da cheia atingir a localidade.

Com chuvas expressivas sobre uma das cabeceiras durante a tarde, no distrito de Guirapá, em Pindaí , o nível da barragem que estava 14 centímetros acima do sangradouro na tarde de domingo ultrapassou os 30 centímetros no início da noite do dia seguinte. O aumento repentino deixou autoridades e moradores inseguros sobre o reflexo na vazão do Carnaíba de Dentro nas áreas urbanas.

Apesar da cautela adotada pelas famílias que decidiram não arriscar perder tudo e sair de suas casas, felizmente o rio não subiu suficiente para transbordar e invadir a rua e as residências. Por volta de meia noite, quando o movimento de mudanças já havia acabado, moradores escutaram o barulho provocado pelo aumento da correnteza dentro do rio no bairro.

Os córregos que cortam as ruas também aumentaram o nível com o aumento de vazão vindo do sangradouro da barragem. Como não choveu no momento da cheia, os riscos de danos foram ainda menores.

A ação realizada pelo grupo de trabalho foi mobilizada por volta das 20h e contou com caminhões da Secretaria Municipal de Infraestrutura e equipes de trabalho que ajudaram a carregar as mudanças. Representantes da associação dos moradores do bairro também auxiliaram nos trabalhos.

Um carro de som passou pelas ruas alertando os moradores sobre risco de transbordamento do curso d’água e sugerindo que as famílias deixassem o local. As famílias que saíram de suas casas foram para casa de parentes.

Eles devem voltar nos próximos dias se as previsões continuarem apontando para a interrupção da sequência chuvosa, que deve terminar nesta terça (11) ou quarta-feira (12), de acordo com os institutos de meteorologia.

Moradores do bairro Liberdade falaram à reportagem da Agência Sertão que esperam que haja um estudo altimétrico do bairro para avaliar as áreas de maior risco e a instalação de um sistema de monitoramento moderno e eficiente para alertar a população em caso de perigo de alagamentos ou inundações. Eles cobram a instalação de pluviômetros automáticos nas cabeceiras do Carnaíba de Dentro e de medidores de vazão à montante e à jusante da barragem de Ceraíma.

Outra cobrança é na melhoria da infraestrutura decadente do bairro, onde parte das ruas não são pavimentadas, não têm meio-fio, nem coleta de esgoto e nem sistema de drenagem. Algumas delas estão praticamente intransitáveis.

A população da parte mais baixa do referido bairro deve ficar mais tranquila nos próximos dias se as previsões de pouca chuva se confirmarem. Os modelos meteorológicos e os institutos de meteorologia apontam que ainda podem ocorrer pancadas de chuva até quarta-feira (12), no entanto, os volumes esperados são pouco significativos.

Para o restante do mês de janeiro, também não são esperados volumes muitos significativos de chuva na região. Já as previsões para fevereiro e março apontam a volta de chuvas expressivas, porém, a confiabilidade dos dados ainda é considerado baixo devido às mudanças que podem ocorrer ao longo do tempo.

Até o momento, desde setembro, o acumulado de chuva em Guanambi é de 716 mm, medidos no pluviômetro da Agência Sertão, no Centro da cidade. O volume é quase igual a média dos últimos quatro anos, de 725 mm, faltando ainda praticamente três meses para o fim do período chuvoso na região. Se chover dentro da média até abril, o acumulado deverá passar de 1.000 mm.

Barragem de Ceraíma

A barragem de Ceraíma voltou a sangrar depois de quase 30 anos. A última vez que isto aconteceu foi em 26 de janeiro de 1992, no dia em que houve o ápice de uma das maiores enchentes já registradas no município. Após mais de 30 dias com chuvas ininterruptas, a barragem sangrou com um grande volume. Na altura da cidade de Guanambi, o Carnaíba de Dentro encontrou o riacho do Belém e o Riachão também muito cheios e vários alagamentos foram registrados na cidade, que ficou isolada devido à quebra das passagens de água sob as rodovias.

Desta vez, pelo menos por enquanto, tendo em vista que o período chuvoso deve ir pelo menos até meados de abril, o sangramento da barragem aconteceu sem grandes transtornos. O volume máximo, de 51,09 milhões de metros cúbicos de água foi atingido e o vertimento começou lentamente, aumentando o fluxo aos poucos com o passar das horas.

Em 2020, no mês de abril, a barragem também chegou a 100% de sua capacidade. Entretanto, devido ao fim do período chuvoso, apenas uma quantidade mínima de água desceu pelo sangradouro impulsionada pelos ventos que movimentavam o espelho d’água.

Poço do Magro

No fim da tarde desta segunda-feira, poucos centímetros separavam o nível do reservatório de Poço do Magro do sangradouro e o sangramento era eminente a qualquer momento, mesmo com a diminuição das águas do Riachão, curso d’água formador do lago. A primeira e única vez que isto aconteceu foi em 2016.

Com o início do vertimento da barragem, pela primeira vez na história, Guanambi terá seus dois principais reservatórios de água sangrando simultaneamente.

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