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Águas do rio São Francisco avançam lentamente pelas ruas da última cidade em Minas Gerais

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Tiago Marqueshttps://agenciasertao.com/
Tiago Marques é redator e editor do site Agência Sertão. Trabalha com produção de conteúdo noticioso para rádio e internet desde 2015.
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Com a maior cheia desde 2007 no Norte de Minas, as águas do rio São Francisco avançam todos dias alguns centímetros pelas ruas de Manga, distante 55 quilômetros da divisa com a Bahia.

Construída próximo à Foz do Rio Verde Grande, Manga é a última passagem da cheia em território mineiro, a despedida do rio do berço de suas principais nascentes. Neste trecho, são drenadas as chuvas dos 240 municípios mineiros da bacia hidrográfica.

As águas das cabeceiras do São Francisco e de seus afluentes viajam mais de 20 dias para chegar nesta cidade. Elas vêm das regiões Central Mineira, Centro-Oeste, Metropolitana de Belo Horizonte, Noroeste e do Norte do Estado.

O morador Tião Sales tem um canal no Youtube e vem mostrando a cheia do Velho Chico em Manga. Nesta quarta-feira (26), ele mostrou como algumas ruas da cidade estão encobertas pela água e disse que alguns comerciantes estão retirando suas mercadorias dos estabelecimentos para evitar prejuízos.

Tião explica que a água entrou pela parte mais baixa da cidade por meio da Lagoa Uirapuru. O parque existente no entorno da lagoa já está submerso e estabelecimentos comerciais da rua ao lado foram atingidos pela enchente. Algumas famílias ribeirinhas precisaram sair de suas casas desde quando o rio começou a subir mais rápido, há duas semanas.

A Prefeitura de Manga alertou na última segunda-feira (24) sobre o risco de alagamentos após o o rompimento da comporta que liga a lagoa ao rio, e que se o nível continuar subindo, as águas podem invadir mais imóveis.

Ainda de acordo com a prefeitura, duas bombas foram instaladas para drenar a água da lagoa e jogá-la mais abaixo.

O último Boletim de Monitoramento Hidrológico do rio São Francisco do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), divulgado às 16h, prevê que o rio ainda vai subir 40 centímetros nos próximos quatro dias na cidade.

De acordo com o SGB, as previsões são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes as dados coletados, provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional, de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). São utilizadas ainda informações de estimativas de chuvas produzidas pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTec/Inpe).

Se as previsões do SGB/CPRM se confirmarem, o rio São Francisco pode atingir uma cota muito próxima de 10 metros até o fim da passagem da cheia, uma vez que na no fim da tarde desta quarta-feira, o nível já havia alcançado 9,48 m.

A cota de alerta de 9,0 m foi atingida na última sexta-feira (21) e o aumento em relação ao nível do dia 1º de janeiro é de quase quatro metros.

O boletim hidrológico aponta também que o volume de água está em descenso no trecho do rio de São Romão até Januária, mas ainda se mantém acima da cota de inundação em todas as cidades monitoradas. Na cidade de São Francisco, a cota que chegou a 10,17 m na última sexta-feira, já recuou 9,30 m seis dias após o pico.

Mesmo com a diminuição das vazões de rios como o Abaeté, das Velhas, Paracatu e Urucuia, a abertura das comportas da Usina Hidroelétrica de Três Marias continua garantindo bastante água no Velho Chico. A Cemig, estatal responsável pela operação da usina, ainda não divulgou quando pretende alterar a defluência, atualmente em 3.000 metros cúbicos por segundo (m³/s).

No último dia 13 foi registrada a maior afluência em 60 anos do término da obra da barragem. Durante o pico, foram mais de 9.200 m³/s de água chegando ao reservatório, superando a marca do ano de 1983, que foi de aproximadamente 7.500 m³/s. Isto fez com que o volume subisse muito rápido, chegando a 94%.

Com a defluência em queda há duas semanas, a vazão atual é de pouco mais de 1.730 m³/s, o que fez com que o volume recuasse a 91%, deixando mais espaço para armazenar as águas das próximas chuvas.

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Bahia

Assim como Manga, os municípios da Bahia estão prestes a receber o pico da Cheia, começando por Malhada e Carinhanha. O rio subiu mais 4 centímetros nesta quinta-feira, chegando à cota 8,16 m. Nestas cidades, a previsão é de que o rio suba mais 35 centímetros em 96 horas segundo o boletim do SGB/CPRM.

Bom Jesus da Lapa, 130 quilômetros mais abaixo, está com o rio na cota 8,97 m e ainda deve ganhar mais 10 centímetros no mesmo período. Em Ibotirama o rio deve subir 5 centímetros, 20 em Morpará e 10 em Barra.

Abaixo do reservatório de Sobradinho, o nível do rio permanece estável com a manutenção da defluência de 4.000 m³/s, a maior desde 2007. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) informou que vai manter esta vazão até o dia 1º de fevereiro, quando será feira uma reavaliação.

A maior liberação de água em 15 anos está mudando a paisagem das cidades banhadas pelo rio São Francisco na Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

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