Previsão de (a) anomalias de precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (ºC) do multimodelo INMET+CPTEC+FUNCEME para o trimestre janeiro-fevereiro-março (JFM) de 2026
boletim agroclimatologico janeiro-fevereiro-marco-2026

Confira o boletim agroclimático do Inmet Inmet para o trimestre janeiro-fevereiro-março

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou o Boletim Agroclimatológico Mensal de janeiro de 2026, documento que reúne a análise das condições observadas no mês anterior e o prognóstico para os próximos três meses, com foco em apoio ao planejamento agrícola.

O boletim é publicado desde 1967 e, a partir de 2019, passou a incorporar informações e mapas voltados ao monitoramento de precipitação, temperaturas e armazenamento de água no solo no Brasil.

Para o trimestre janeiro–fevereiro–março (JFM) de 2026, o Inmet usa o “modelo objetivo” (multi-modelo), desenvolvido em cooperação com o CPTEC/INPE e a Funceme, para indicar tendências de chuva e temperatura por região.

No panorama geral, o boletim aponta contraste entre regiões: volumes de chuva acima da média em áreas do Norte e do Sul, e indicativo de chuva abaixo da média em partes do Nordeste e do Sudeste.

No contexto de grande escala, as condições oceânicas seguem em neutralidade do Dipolo do Atlântico e com sinal de resfriamento no Pacífico Equatorial, mas com projeção de neutralidade do ENOS predominando durante o trimestre.

Previsão por região (janeiro a março de 2026)

Norte

  • O multi-modelo indica chuva acima da média histórica em grande parte do Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, sul de Rondônia e na porção centro-leste do Amazonas, com aumento de até 200 mm em áreas da região; há indicação de volumes próximos ou abaixo da média no Tocantins e no sudoeste do Pará.
  • As temperaturas tendem a ficar dentro ou levemente acima da média, com aumento médio de até 1 °C em áreas como sudoeste do Pará e Tocantins.
  • O boletim projeta armazenamento hídrico elevado no solo em praticamente toda a região, em geral favorável ao desenvolvimento de culturas anuais e perenes.
  • Impactos agrícolas: com umidade alta, a tendência é de suporte ao desenvolvimento de lavouras e pastagens; em áreas com excesso de água, pode haver restrições operacionais no campo e maior atenção ao manejo para evitar problemas associados a encharcamento.

Nordeste

  • A previsão indica volumes de chuva abaixo da média histórica em grande parte da região, com redução de até 100 mm em áreas do sul do Maranhão, norte do Piauí, oeste do Ceará e no semiárido.
  • As temperaturas devem ficar acima da média em áreas do sul do Maranhão, centro-sul do Piauí e na porção centro-oeste da Bahia.
  • O armazenamento hídrico do solo tende a permanecer abaixo de 30% no semiárido e também em áreas do litoral sul e oeste da Bahia; no Maranhão e no extremo oeste baiano, os níveis previstos são mais altos, acima de 50%.
  • O boletim projeta déficits hídricos de até 60 mm em áreas como o litoral da Bahia, sul do Maranhão e oeste do Ceará.
  • Impactos agrícolas: a combinação de chuva abaixo da média e solo com baixa umidade tende a limitar o avanço e o estabelecimento de lavouras de sequeiro em áreas do semiárido. No oeste da Bahia, onde a umidade projetada é maior, o cenário é relativamente mais favorável para manutenção do ciclo de culturas e para o manejo de pastagens, dentro das variações locais indicadas no boletim.

Centro-Oeste

  • A previsão aponta volumes de chuva próximos ou acima da média em Mato Grosso do Sul e na maior parte de Mato Grosso; em Goiás, os volumes podem ficar abaixo da média.
  • As temperaturas devem permanecer acima da média na região, com desvios que podem chegar a 1 °C.
  • O armazenamento hídrico do solo tende a ficar acima de 60% na maior parte do Centro-Oeste, com excedentes hídricos superiores a 60 mm em áreas do centro-norte de Mato Grosso e oeste/norte de Goiás.
  • Impactos agrícolas: a umidade favorece o desenvolvimento de culturas de primeira safra (como soja e milho), mas o excesso de água pode interferir em operações de campo e elevar risco de doenças fúngicas em lavouras.

Sudeste

  • O boletim indica chuva abaixo da média em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e norte de São Paulo, com redução de até 100 mm em áreas dessas unidades.
  • As temperaturas tendem a ficar acima da média, com desvios de 0,5 °C a 1 °C.
  • A previsão de umidade do solo indica níveis mais baixos (inferiores a 40%) em áreas do norte de Minas e Espírito Santo, e níveis mais altos (acima de 70%) no sul e leste de Minas Gerais.
  • Impactos agrícolas: nas áreas mais secas, o boletim aponta tendência de déficits hídricos no trimestre, com necessidade de atenção ao manejo hídrico, especialmente em sistemas mais sensíveis ao estresse.

Sul

  • A previsão mantém tendência de temperaturas acima da média em toda a região, com desvios que podem chegar a 1 °C em áreas do centro-oeste de Santa Catarina e centro-norte do Rio Grande do Sul.
  • O boletim projeta níveis de armazenamento de água no solo superiores a 70% em grande parte da região; no extremo sul do Rio Grande do Sul, especialmente em janeiro, os estoques podem ficar abaixo de 30%.
  • Excedentes hídricos superiores a 60 mm tendem a predominar no Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul.
  • Impactos agrícolas: a umidade favorece lavouras de verão, fruticultura e recuperação de pastagens, mas no extremo sul gaúcho o boletim aponta possibilidade de maior necessidade de irrigação suplementar e manejo do solo devido ao déficit hídrico de até 30 mm em janeiro.

Condições oceânicas e sinais de grande escala

O Inmet destaca que a interação oceano–atmosfera influencia diretamente o regime de chuvas no Brasil, com papel do ENOS (no Pacífico Equatorial) e do Dipolo do Atlântico (no Atlântico Tropical).

Em dezembro de 2025, o Atlântico Tropical apresentou neutralidade do Dipolo do Atlântico, com anomalias de TSM de 0,21 °C no Atlântico Tropical Norte e 0,08 °C no Atlântico Tropical Sul. Mesmo com o Dipolo neutro, o boletim aponta que anomalias positivas no Atlântico Norte podem deslocar a ZCIT mais ao norte e desfavorecer chuvas ao longo da costa norte do Nordeste.

No Pacífico, a anomalia mensal de TSM na região Niño 3.4 foi de -0,6 °C em dezembro, sinal associado ao resfriamento do Pacífico Equatorial. Ainda assim, a previsão do IRI citada no boletim aponta 65% de probabilidade de neutralidade do ENOS no trimestre JFM de 2026.

Como foi dezembro de 202

Na análise do mês anterior, o Inmet registrou que, no Nordeste, os maiores acumulados de chuva se concentraram no extremo oeste da Bahia, além do sul do Maranhão e do Piauí, com totais superiores a 120 mm, o que ajudou a manter estoques de umidade do solo entre 50% e 80% nessas áreas. O boletim relaciona esse cenário a melhores condições para avanço do plantio e estabelecimento inicial de lavouras de sequeiro no MATOPIBA, incluindo soja, milho e algodão.

Em contraste, grande parte do litoral e do interior do semiárido nordestino teve volumes inferiores a 50 mm, com armazenamento hídrico no solo abaixo de 20%, mantendo restrições ao desenvolvimento de lavouras de sequeiro. Em áreas de estados do Nordeste, o boletim aponta que houve locais com estoques de água no solo inferiores a 5% após o mês.

Em relação às temperaturas, dezembro teve médias de máximas acima de 30 °C em várias regiões; no Nordeste, as médias ultrapassaram 34 °C em áreas que incluem parte do norte da Bahia. Entre as menores médias de temperatura mínima no Nordeste, o boletim cita Vitória da Conquista (17,4 °C).

Confira o Boletim Agroclimatológico na íntegra

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