No mesmo 25 de janeiro em que se completam sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), um dique associado à Mina de Fábrica, em Ouro Preto (Região Central de Minas), teve extravasamento de água com sedimentos na madrugada deste domingo, 25 de janeiro, provocando alagamentos em áreas industriais e mobilizando órgãos de defesa civil e fiscalização.
A ocorrência foi confirmada pela Prefeitura de Ouro Preto à imprensa e, segundo a Defesa Civil municipal, aconteceu em área rural distante da sede e dos distritos, com atuação de equipes da Secretaria de Segurança e Trânsito.
O extravasamento envolveu cerca de 220 mil m³ de água (volume apontado como equivalente a “88 piscinas olímpicas”) e atingiu estruturas administrativas e áreas operacionais da CSN Mineração, na unidade Pires, em Ouro Preto. Fontes citadas pela imprensa informaram que, por segurança, ao menos 200 trabalhadores foram evacuados, sem registro de feridos.
Em nota divulgada neste domingo, a Vale afirmou que se tratou de “extravasamento de água com sedimentos de uma cava” na Mina de Fábrica e que “pessoas e a comunidade da região não foram afetadas”. A empresa também declarou que o episódio “não tem qualquer relação com as barragens da companhia na região”, que permaneceriam sem alterações nas condições de estabilidade e segurança.
Já a CSN Mineração informou que o alagamento alcançou áreas como almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e área de embarque, e disse que suas estruturas de contenção de sedimentos seguiam operando normalmente, com autoridades comunicadas desde o início.
No fim da noite, o Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou nota informando que o ministro Alexandre Silveira determinou que a Agência Nacional de Mineração (ANM) adote medidas urgentes para garantir a segurança das comunidades e a proteção ambiental diante das informações sobre “rompimento de um dique”.
Entre as providências listadas estão fiscalização rigorosa das estruturas impactadas, acionamento de órgãos federais, estaduais e municipais (com foco em meio ambiente e defesa civil), apuração de eventual responsabilidade da empresa e avaliação de medidas administrativas, incluindo possível interdição, conforme análise técnica.
A pasta também determinou que a ANM mantenha o MME informado continuamente e informou a abertura de processo para apuração de responsabilidades “com total rigor e celeridade”.
Sete anos de Brumadinho
Em 25 de janeiro de 2019, o rompimento de uma barragem de rejeitos na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, controlada pela Vale, provocou uma das maiores tragédias da mineração no país, com 270 mortes apontadas em balanços amplamente citados. Sete anos depois, a Justiça começará a análise dos processos para responsabilizar eventuais culpados pelo ocorrido.
