Nayara Porto, na época com 27 anos, estava em casa preparando um pudim quando ouviu a vizinha comentar sobre o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais. O incidente ocorreu em 25 de janeiro de 2019, na Mina Córrego do Feijão, resultando na morte de 272 pessoas. Nayara, em entrevista ao programa Natureza Viva da Rádio Nacional, relembra o momento de desespero ao tentar contatar seu marido, Everton Lopes Ferreira, que trabalhava no local.
“Eu fiquei um pouco sem entender. Depois ela me chamou e perguntou se meu marido estava em casa. Eu falei que não estava, estava trabalhando, aí ela foi e me contou o que tinha acontecido”, disse Nayara. Ela tentou várias vezes ligar para o marido, mas sem sucesso. Um amigo do marido, que conseguiu escapar da lama, aconselhou Nayara a orar.
De acordo com a Agência Brasil, passados 2.557 dias desde o desastre, ninguém foi responsabilizado criminalmente. No entanto, há a possibilidade de que 15 pessoas respondam pelo acidente na Justiça. As audiências de instrução começam em 23 de fevereiro na 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte, com previsão de término em maio de 2027.
Possíveis Responsáveis e Audiências
A juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima poderá decidir por um júri popular. Entre os possíveis réus estão 11 ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale e quatro funcionários da TÜV SÜD, empresa contratada para monitorar a barragem. Cristina Serra, jornalista e autora de um livro sobre desastres ambientais, associa o caso de Brumadinho a outros acidentes, como o rompimento da barragem de Mariana em 2015 e o afundamento do solo em Maceió.
Serra critica a atuação das empresas de mineração e dos órgãos de fiscalização, afirmando que as companhias priorizam o lucro em detrimento da segurança e que a fiscalização é burocrática e ineficaz. “Não vão in loco ver o que está acontecendo”, comenta a jornalista.
Procurada pela Agência Brasil, a Vale não comentou a ação judicial, mas destacou ações de reparação em Brumadinho, incluindo recuperação socioambiental e investimentos em segurança de barragens. A Samarco, responsável pela barragem de Mariana, reafirma seu compromisso com a reparação e compensação dos impactos causados.
Neste domingo, a Avabrum promove um ato em memória das vítimas no Letreiro de Brumadinho, reforçando a lembrança das 272 vidas perdidas na tragédia.
