Foto: MPBA
Prisao de ex-deputado Eunápolis

Ex-deputado foi preso por suspeita de facilitar fuga no Conjunto Penal de Eunápolis

O ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira, 16 de abril, durante a Operação Duas Rosas, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA). A ação foi realizada por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), com participação das unidades da capital e regional Sul, além do Grupo de Atuação Especial em Execução Penal (Gaep).

De acordo com as investigações, o ex-parlamentar teria negociado com uma organização criminosa o recebimento de R$ 2 milhões para facilitar a fuga registrada em dezembro de 2024 no Conjunto Penal de Eunápolis. Na ocasião, 16 internos deixaram a unidade prisional. Entre eles estava Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dada, apontado como liderança do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção com atuação regional e vínculo com o Comando Vermelho.

Segundo o Ministério Público, Dada está atualmente no Rio de Janeiro. As apurações sustentam que a fuga não teria ocorrido de forma isolada ou fortuita, mas estaria inserida em um contexto de articulação criminosa estruturada, com participação de integrantes do PCE e do ex-deputado federal, com uso de influência política e institucional.

Além da prisão preventiva de Uldurico Pinto, a operação também cumpriu mandados de busca em Salvador, Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro. As medidas tiveram como alvos ainda um ex-vereador de Eunápolis e um advogado. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Eunápolis.

Conforme o MPBA, a apuração aponta que o valor de R$ 2 milhões teria sido acertado como vantagem indevida para viabilizar a fuga dos internos. O nome da operação, “Duas Rosas”, faz referência justamente a esse montante. Durante as investigações, segundo o órgão, a expressão “rosa” era utilizada de forma codificada para se referir a dinheiro.

Ainda de acordo com o Ministério Público, esse código aparecia em diálogos e tratativas sob expressões como “as rosas”, “quando as rosas vão chorar” e “choram as rosas”, em alusão ao pagamento dos valores que teriam sido negociados no esquema investigado.

A Operação Duas Rosas aprofunda as investigações sobre a fuga em massa ocorrida no fim de 2024 e busca esclarecer a possível participação de agentes externos e pessoas com influência política no caso. Até o momento, o MPBA sustenta que a saída dos presos estaria ligada a uma estrutura criminosa organizada, e não a um episódio isolado dentro do sistema prisional.

O caso segue sob investigação.

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