Um estudo publicado na revista científica Microbial Pathogenesis identificou pela primeira vez no Brasil diferentes espécies de bactérias do gênero Flavobacterium em peixes cultivados para consumo humano, incluindo tilápias e espécies nativas criadas em fazendas aquícolas.
A bactéria está associada à columnariose, doença que afeta peixes de criação destinados ao consumo. Não há, até o momento, segundo os pesquisadores, evidências de transmissão da doença a seres humanos. A enfermidade pode provocar lesões na pele e nas nadadeiras, destruir as brânquias e levar à morte em poucos dias, sobretudo em peixes mais jovens.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Zambeze, em Moçambique. Os pesquisadores encontraram essas bactérias em tilápias e também em espécies nativas criadas para alimentação, como tambaqui, pacu, lambari e pintado-da-amazônia.
Identificação e coleta de amostras
Segundo a Fapesp, que financiou a bolsa que deu origem ao estudo, os microrganismos foram identificados por isolamento em laboratório e análises microbiológicas das colônias bacterianas. As amostras foram coletadas entre 2018 e 2024 em criações de tilápia e de espécies nativas brasileiras, como tambaqui, lambari e pintado-da-amazônia.
Os resultados mostraram que várias dessas bactérias tiveram sua proliferação favorecida em temperaturas próximas de 28°C, bastante comuns em algumas regiões do país. Nessa faixa, o microrganismo apresentou elevada capacidade de formar biofilmes, estruturas protetoras que aumentam a sobrevivência em equipamentos e instalações de criação.
O estudo relaciona o alerta à saúde dos peixes e à sustentabilidade da produção aquícola, não havendo, até o momento, segundo a pesquisa, riscos de transmissão direta da bactéria para seres humanos. Os autores destacam a necessidade de vigilância epidemiológica, medidas de biossegurança e desenvolvimento de vacinas para reduzir impactos sobre a produção de pescado no Brasil.
