A Anvisa aprovou a ampliação do uso de medicamentos para o tratamento pediátrico de lúpus eritematoso sistêmico e esclerose múltipla, incluindo crianças e adolescentes. A medida foi publicada no Diário Oficial da União, nesta segunda-feira (20), por meio de resolução disponível em https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-re-n-2.831-de-16-de-julho-de-2026-720001328.
Segundo a Anvisa, para crianças a partir de 5 anos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, o Benlysta (belimumabe) passa a ser indicado como tratamento complementar. O medicamento é destinado a pacientes com alto grau de atividade da doença que já estejam em tratamento padrão com corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores.
De acordo com a Anvisa, a medida inclui alternativas em caneta aplicadora/autoinjetora, com o objetivo de reduzir a necessidade de deslocamentos a centros de infusão. A agência informou que a formulação intravenosa do medicamento já estava aprovada para pacientes pediátricos.
Segundo a Anvisa, o Ocrevus (ocrelizumabe) também teve ampliação de uso para pacientes a partir de 12 anos e com 40 kg, indicado para o tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). O produto é um anticorpo monoclonal recombinante, associado à redução da atividade inflamatória relacionada à doença.
Sobre o lúpus
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune que pode afetar órgãos e tecidos como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos graves, se não tratada adequadamente, pode levar ao óbito. Entre os sintomas estão febre, rigidez muscular e inchaços, lesões na pele que surgem ou pioram com exposição ao sol, linfonodos aumentados e queda de cabelo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a doença afeta entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil, principalmente mulheres entre 20 e 45 anos. O diagnóstico é realizado a partir de exames como hemograma, biópsia renal e exame de urina. A entidade informa que o tratamento é principalmente paliativo.
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune do sistema nervoso central. O sistema imunológico ataca a mielina que reveste e protege as fibras nervosas, o que pode prejudicar a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.
Na forma remitente-recorrente, a doença é caracterizada por episódios de novos sintomas neurológicos ou agravamento dos já existentes, seguidos por períodos de recuperação parcial ou completa. A manifestação antes dos 18 anos é considerada rara e descrita como mais grave.
Entre os sintomas mais comuns estão fadiga extrema, dormência, formigamento, alterações visuais (como visão turva ou dupla), fraqueza muscular, desequilíbrio e dificuldade de controle da bexiga. As causas envolvem predisposição genética e fatores ambientais, como infecções virais, tabagismo e obesidade. O diagnóstico é feito por neurologista com exames complementares.
