Território Buri, em Maragojipe - Foto: Incra
decretos territorios quilombolas Bahia

Seis territórios quilombolas da Bahia tiveram decretos de interesse social publicados pelo governo federal

Seis territórios quilombolas da Bahia tiveram decretos de interesse social publicados pelo governo federal no Diário Oficial da União desta sexta-feira (21). As áreas somam 23,1 mil hectares, abrangem 128 imóveis rurais que serão desapropriados em benefício de 743 famílias cadastradas pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Os decretos fazem parte de um conjunto de 20 atos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, voltados à regularização de territórios quilombolas em diferentes estados do país.

Na Bahia, os territórios contemplados são:

  • Sacutiaba e Riacho da Sacutiaba, em Wanderley;
  • São Francisco do Paraguaçu, em Santo Amaro;
  • Jiboia, entre Antônio Gonçalves e Filadélfia;
  • Fôjo, em Itacaré;
  • Buri, em Maragojipe;
  • Fazenda Porteiras, em Entre Rios.

Cada hectare equivale a 10 mil metros quadrados, área próxima ao tamanho máximo de um campo de futebol (cerca de 10,8 mil m²). No total, a medida envolve 128 imóveis rurais – fazendas ou propriedades rurais – que integram o perímetro dos territórios quilombolas.

Próximas etapas: desapropriação e titulação

Com a publicação dos decretos, o Incra está autorizado a iniciar o processo de desapropriação por interesse social dos imóveis rurais incluídos em cada território. A autarquia deverá vistoriar e avaliar as propriedades e, em seguida, ingressar com ações judiciais de desapropriação, de acordo com a disponibilidade orçamentária.

Concluída a desapropriação – etapa que depende de decisão do Judiciário – e transferido o domínio das áreas para o Incra, o instituto ficará responsável por emitir o título de propriedade coletiva em nome das comunidades quilombolas. Os atuais proprietários rurais serão indenizados pelo valor de mercado das terras.

Quem são as comunidades beneficiadas

O território Sacutiaba e Riacho da Sacutiaba, em Wanderley, integra um dos primeiros Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) elaborados no Brasil. O documento foi produzido em parceria entre o Incra e o grupo de pesquisa Geografar, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A área tem 12,2 mil hectares, é composta por seis imóveis rurais e abriga 69 famílias remanescentes de quilombo.

O território São Francisco do Paraguaçu, em Santo Amaro, é um dos mais estudados academicamente, com diversas dissertações e teses produzidas sobre a região. A igreja e o convento de Santo Antônio, localizados na comunidade, inspiraram o romance Salve o Fogo, do escritor Itamar Vieira Junior. O território reúne 199 famílias quilombolas, com 46 imóveis rurais em uma área de 4,5 mil hectares.

No território Jiboia, localizado entre Antônio Gonçalves e Filadélfia, vivem 224 famílias, em uma área de 2 mil hectares, que engloba 27 imóveis rurais.

Já o território Fazenda Porteiras, em Entre Rios, conta com 148 famílias remanescentes de quilombo. A área possui 1,9 mil hectares, distribuídos em 23 imóveis rurais.

O território Fôjo, em Itacaré, é formado por 25 imóveis rurais, somando 1,3 mil hectares, onde vivem 65 famílias quilombolas.

Por fim, o território Buri, em Maragojipe, reúne 38 famílias quilombolas em um único imóvel rural, com área de 377,6 hectares.

Impacto social

De acordo com o Censo Demográfico de 2022, nos domicílios onde vive pelo menos uma pessoa quilombola na zona rural, a média é de 3,25 moradores por residência. Com isso, a regularização das áreas na Bahia tem potencial de beneficiar diretamente mais de duas mil pessoas, garantindo segurança jurídica sobre as terras ocupadas historicamente e fortalecendo a proteção dos territórios quilombolas no estado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *