O Aeroporto Municipal Isaac Moura Rocha, em Guanambi, ficou sem propostas no leilão da primeira rodada do Programa AmpliAR, realizado nesta quinta-feira, 27 de novembro, na B3, em São Paulo. Dos 19 aeroportos regionais ofertados pelo governo federal, apenas 13 receberam lances, e o terminal baiano não está entre os contemplados.
A principal vencedora do certame foi a GRU Airport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional de Guarulhos. A empresa levou, sozinha, 12 dos 13 aeroportos que tiveram propostas, todos arrematados sem disputa, com ofertas dentro dos parâmetros econômicos definidos pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). O único terminal com concorrência foi o de Jericoacoara (CE), vencido pela Fraport Brasil.
No caso de Guanambi, o resultado contrasta com a expectativa criada a partir do edital do AmpliAR. O projeto previa investimento de R$ 80,15 milhões no aeroporto, incluindo ampliação da pista, reforço de pavimento para operações com jatos, ampliação do pátio de aeronaves e melhoria do terminal de passageiros. Hoje, o Isaac Moura Rocha recebe voos regulares da Azul, ligando a cidade a Salvador e Belo Horizonte e atendendo cerca de 500 mil habitantes em 27 municípios da microrregião.
Segundo o MPor, o AmpliAR foi desenhado para que concessionárias com contratos em vigor incorporem aeroportos regionais deficitários, assumindo o compromisso de investir na modernização da infraestrutura. Em troca, as empresas podem obter mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro em seus contratos principais, como ajustes de outorga ou de prazo.
Inicialmente, o governo estimava mobilizar R$ 1,25 bilhão em investimentos privados na primeira rodada do programa. Com apenas 13 terminais arrematados, a projeção foi revista para cerca de R$ 730 milhões ao longo dos contratos de concessão. Os contratos terão duração de 30 anos e integram a estratégia de ampliar a conectividade aérea em regiões da Amazônia Legal e do Nordeste.
Guanambi integra a lista de seis aeroportos que não receberam qualquer oferta: Tarauacá (AC), Barcelos, Itacoatiara e Parintins (AM), Itaituba (PA) e o próprio terminal baiano. Nesses casos, o edital estabelece que os ativos permanecem disponíveis para novas propostas por um prazo adicional de 30 dias após o leilão. O governo poderá repassar a gestão diretamente a uma operadora, desde que haja interesse público e concordância com as condições definidas.
Na Bahia, os outros dois aeroportos incluídos no AmpliAR tiveram destino diferente. Lençóis, porta de entrada da Chapada Diamantina, e Paulo Afonso, no Norte do estado, receberam propostas e serão incorporados à rede da GRU Airport, com investimentos previstos de R$ 77,8 milhões e R$ 101,35 milhões, respectivamente.
Com o insucesso no leilão, o futuro do Aeroporto de Guanambi dentro do programa depende agora de eventual manifestação de interesse de concessionárias nos próximos 30 dias ou de uma nova modelagem por parte do governo federal. Enquanto isso, o terminal segue sob gestão pública, operando normalmente os voos comerciais que atendem a região.
