A Barragem de Ceraíma, em Guanambi, teve recuperação importante com as chuvas registradas nas últimas semanas, mas ainda segue em situação de atenção. Dados divulgados na última sexta-feira, 6 de março, pelo escritório local da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) mostram que o reservatório está com 23,17 milhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 45,5% da capacidade total, estimada em 50,9 milhões de metros cúbicos.
O nível atual representa avanço em relação ao menor volume deste ano, de 15,03 milhões de metros cúbicos, registrado em 31 de janeiro. Desde então, o incremento foi de pouco mais de 8,1 milhões de metros cúbicos. Mesmo assim, o armazenamento ainda é considerado baixo para o período e está abaixo do registrado na mesma época de 2025, quando a barragem acumulava 28,6 milhões de metros cúbicos, o correspondente a 56,1% da capacidade.
A situação é acompanhada com atenção porque a água da barragem é usada na irrigação de culturas perenes do Perímetro Irrigado de Ceraíma e também complementa o sistema de abastecimento da região, juntamente com a Adutora do Algodão.
De acordo com os dados da Codevasf, o volume atual é o menor para o início de março desde 2014, quando o reservatório começava a se recuperar de uma longa estiagem. No fim de 2013, a barragem chegou a operar com cerca de 1% da capacidade.
A recuperação mais lenta em Ceraíma é explicada, segundo os dados técnicos, pelo menor aporte hídrico no Rio Carnaíba de Dentro, responsável pela formação do reservatório. Já o Riachão, curso d’água que alimenta a Barragem de Poço do Magro, teve recarga bem superior no mesmo período.
A diferença entre os dois reservatórios aparece nos números. A Barragem de Poço do Magro atingiu a capacidade máxima de 37 milhões de metros cúbicos no último dia 2. Antes da recuperação, o menor volume havia sido de 19,9 milhões de metros cúbicos, ou 53,8% da capacidade, registrado no fim de 2025. Mesmo sem estar ligada a projetos de irrigação, a estrutura tem importância para o entorno, para o abastecimento de comunidades e para o fornecimento de água a caminhões-pipa usados em obras de infraestrutura e outras atividades.
Estreito e Cova da Mandioca
Outras duas grandes barragens sob responsabilidade da Codevasf na região também registraram elevação expressiva. A Barragem do Estreito, no Rio Grande Pequeno, em Urandi, chegou a 100% da capacidade, com 65,2 milhões de metros cúbicos, após ter iniciado o ano com 30,9 milhões.
Já a Barragem de Cova da Mandioca, integrada ao sistema do Estreito, alcançou 111 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 88% da capacidade. No início de janeiro, o volume era de 79,7 milhões.
Vazamento
Além do nível ainda abaixo do ideal, outro ponto de preocupação em Ceraíma é o vazamento na comporta da barragem, problema que, segundo a Secretaria de Agricultura de Guanambi, persiste há cerca de 13 anos. De acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (10), após cobrança do prefeito Nal Azevedo e do secretário municipal de Agricultura, Vanderlei Florêncio, a Codevasf informou que a situação deverá ser sanada nos próximos dias.
Segundo levantamento da Cooperativa Agrícola de Ceraíma (Cooperc), o vazamento provoca perda de aproximadamente 140 mil litros de água por hora, volume que seria suficiente para irrigar cerca de 100 hectares de manga e outras culturas no perímetro irrigado.
A Codevasf informou que está em fase final de análise de um pedido de aditivo solicitado pela empresa contratada para executar a intervenção na estrutura. Ainda conforme o órgão, as novas comportas hidráulicas, consideradas os principais equipamentos para solucionar o problema, já estão em Guanambi e aguardam montagem. A expectativa é de que, após a conclusão dessa análise, os serviços sejam retomados.
Previsão para a Região de Guanambi
Apesar de o cenário ainda exigir cautela, a previsão meteorológica pode favorecer nova recuperação dos reservatórios. Modelos matemáticos indicam que a segunda quinzena de março deve ser chuvosa na região de Guanambi, com condições favoráveis para precipitações a partir do próximo domingo (15). Os acumulados previstos até 22 de março variam entre 60 e 110 milímetros.
Com isso, a expectativa é de que a Barragem de Ceraíma continue recebendo recarga nos próximos dias. Ainda assim, o volume armazenado segue distante do ideal para garantir maior segurança hídrica ao perímetro irrigado e ao sistema complementar de abastecimento regional.
