A sucuri-verde conhecida como Cotoca foi vista novamente na região do Rio São Francisco, em Lagoa da Prata, no Centro-Oeste de Minas Gerais, após mais de três anos sem registros públicos recentes. O animal vive em áreas de várzea do rio e em pequenos afluentes da região, onde já vinha sendo monitorado por observadores de vida selvagem e ambientalistas.
A serpente recebeu o apelido de Cotoca por causa de uma mutilação na cauda, característica que ajuda na identificação do animal. Essa marca permitiu aos observadores reconhecerem que se trata da mesma sucuri registrada anteriormente na localidade.
O novo avistamento ocorreu na zona rural de Lagoa da Prata, em uma área próxima ao Rio São Francisco. Nas imagens divulgadas nas redes sociais, a sucuri aparece em meio à vegetação, em ambiente de várzea. O vídeo chamou atenção pelo tamanho do animal e pela possibilidade de se tratar de uma das maiores sucuris já registradas em vídeo nos últimos anos.
De acordo com informações divulgadas por observadores e ambientalistas que acompanham a espécie, Cotoca pode ter mais de cinco metros de comprimento. Em medições anteriores feitas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Lagoa da Prata, o animal foi estimado em aproximadamente 5,30 metros. A medição, no entanto, não é considerada exata, devido à dificuldade de medir uma serpente viva em ambiente natural.
A sucuri-verde, também conhecida como anaconda e identificada pelo nome científico Eunectes murinus, está entre as maiores serpentes do planeta. A espécie ocorre no Brasil e em outros países da América do Sul, como Colômbia, Paraguai, Venezuela, Equador, Bolívia, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Suriname e Trindade e Tobago.
O reaparecimento de Cotoca ganhou repercussão por causa do porte do animal e da raridade de registros contínuos de uma mesma sucuri em ambiente selvagem. Entre as sucuris com medições registradas e filmadas nos últimos anos, Cotoca é apontada como uma das maiores. A maior sucuri já filmada e medida era conhecida como Vovozona, registrada em Bonito, no Mato Grosso do Sul, que morreu em março de 2024 e foi medida em 6,36 metros.
Segundo relatos de observadores, a área onde Cotoca foi encontrada apresentava alta concentração de outras sucuris. A presença de vários animais pode estar relacionada ao período reprodutivo da espécie. Nessa fase, fêmeas liberam feromônios que atraem machos a longas distâncias, formando agrupamentos em áreas alagadas ou próximas a cursos d’água.
Além de Cotoca, outras sucuris de grande porte foram observadas na mesma região. Para pesquisadores e ambientalistas, esse tipo de registro pode contribuir para o acompanhamento da longevidade, do crescimento e do comportamento desses répteis em ambiente natural.
Em registros anteriores, o ambientalista Saulo Castro, servidor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Lagoa da Prata, já havia feito imagens da sucuri em um canal às margens do Rio São Francisco, na localidade conhecida como Tabocas. Na ocasião, ele destacou que o animal permanecia na mesma área e aparentava estar tranquilo.
“Pelo visto ela não tá querendo ir embora não. Está aqui no mesmo lugar, tranquila. Eu achei que ela já tinha ido embora, já tinha descido a várzea, mas ela continua por aqui”, afirmou Saulo em registro anterior.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Lagoa da Prata já havia consultado o Ibama sobre a possibilidade de transferir a sucuri para uma área de preservação. A orientação recebida foi para que o município mantivesse o monitoramento no próprio local onde o animal vive.
Ambientalistas reforçam que a sucuri deve ser preservada e que a população não deve tentar se aproximar, tocar, capturar ou afastar o animal. Embora o porte chame atenção, acidentes envolvendo humanos são considerados raros. A espécie se alimenta principalmente de peixes, aves, outras serpentes e mamíferos, como capivaras e pacas.
A recomendação é que, ao encontrar uma sucuri ou qualquer outro animal silvestre, a população mantenha distância e acione os órgãos ambientais. Matar, capturar ou maltratar animais silvestres é crime ambiental no Brasil, conforme a Lei nº 9.605/1998.
