Foto: Tiago Marques | Agência Sertão
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ACM Neto critica governo estadual e defende investimentos no interior em coletiva na Expo Guanambi

O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, cumpriu agenda política em Guanambi nesta quinta-feira, 14 de maio. Durante a tarde, ele visitou o distrito de Ceraíma, onde conheceu áreas produtivas do perímetro irrigado, e à noite participou de entrevista coletiva no estande do deputado federal Arthur Maia, no Parque de Exposições, dentro da programação da ExpoGuanambi 2026.

Após a coletiva, ACM Neto participou de um encontro com apoiadores no tatersal do parque. A agenda contou com a presença de lideranças políticas como o ex-ministro João Roma, o senador Ângelo Coronel, o prefeito de Jequié, Zé Cocá, o deputado Arthur Maia, além de prefeitos, vereadores e lideranças regionais.

Durante a entrevista, ACM Neto foi questionado sobre demandas da região de Guanambi, especialmente nas áreas de infraestrutura, segurança pública, saúde, irrigação, logística e desenvolvimento regional. O ex-prefeito afirmou que pretende construir um plano regional para o estado, levando em conta as vocações econômicas de cada território.

Ao falar sobre Ceraíma, Neto citou o potencial produtivo do perímetro irrigado e afirmou ter visitado uma produção de uva no distrito. Segundo ele, o projeto demonstra a capacidade da região de gerar emprego e renda, mas ainda carece de maior apoio governamental.

“Eu estive lá alguns anos atrás, fui conhecer esse grande projeto do perímetro irrigado de Ceraíma. Conheci inclusive uma produção de uva, fiquei impressionado. Sei que foi uma luta muito pessoal do deputado Arthur Maia. Uma iniciativa que emprega cerca de 3 mil pessoas, diretos e indiretos. Você vê qual é o apoio que está tendo do governo”, afirmou.

Neto também mencionou o projeto de irrigação do Vale do Iuiú, tratado por ele como uma demanda antiga da região. Para o ex-prefeito, o tema não deve ser apresentado apenas como promessa eleitoral, diante do tempo em que o projeto vem sendo discutido sem execução efetiva.

“Projeto de irrigação do Vale do Iuiú eu acho que é um sonho da região que não dá para ser tratado como promessa, porque foram 20 anos e o povo já não acredita mais”, disse.

Na área de infraestrutura, ACM Neto criticou obras que, segundo ele, se arrastam há anos no estado, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), o Porto Sul e a ponte Salvador-Itaparica. Ele afirmou que a Bahia precisa de projetos estruturantes para integrar regiões produtivas e melhorar a competitividade econômica.

“Tem algumas coisas na Bahia que eu não sei se são pesadelo ou piada. Uma delas é a ponte Salvador-Itaparica, outra é o Porto Sul, lá em Ilhéus, que está conectado diretamente com a Fiol. Obra começou, parou, começou, parou de novo, e até agora nós não temos uma solução”, declarou.

A segurança pública foi outro tema abordado durante a coletiva. ACM Neto afirmou que o avanço das facções criminosas para o interior do estado retirou de muitas cidades uma sensação de tranquilidade que existia no passado. Ele atribuiu o cenário à política de segurança adotada pelo governo estadual.

“Não existe mais aquele privilégio das pessoas que antigamente moravam no interior e podiam viver com a porta de casa aberta. E tudo isso, em 20 anos que eles comandam o estado, não é uma simples coincidência. Ao contrário, é resultado de uma política omissa, permissiva e absolutamente fantasiosa na área da segurança”, disse.

O ex-prefeito defendeu a valorização das forças policiais, melhoria salarial, investimento em inteligência e maior rigor no sistema prisional. Segundo ele, a Bahia precisa de presídios de segurança máxima para impedir o controle interno das unidades por facções.

Também presente ao evento, o senador Ângelo Coronel defendeu a implantação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) como uma das medidas para combater a entrada de drogas, armas e contrabando no país.

“O maior projeto que poderia resolver o problema da segurança pública, que Neto vai encampar, é o Sisfron, o sistema de monitoramento das fronteiras, que fiscaliza os 17 mil quilômetros de fronteira seca, onde entra a droga, onde entra a arma, onde entra o contrabando”, afirmou.

Na saúde, ACM Neto voltou a criticar a regulação estadual e a concentração de serviços especializados em Salvador. Ele citou o tratamento oncológico como exemplo da dificuldade enfrentada por pacientes do interior, que precisam percorrer longas distâncias em busca de atendimento.

“Imagine só quantos quilômetros essa pessoa tem que rodar para fazer um tratamento contra o câncer. A questão oncológica é, na minha opinião, um claro retrato da falta de serviços especializados no interior da Bahia. Esses serviços não podem ficar concentrados em Salvador”, afirmou.

O ex-prefeito também disse que, caso seja eleito, pretende ampliar a oferta de serviços no interior, com construção de hospitais regionais, parcerias com hospitais municipais, compra de vagas na rede filantrópica e privada, além de reorganização do sistema de regulação com uso de tecnologia e equipes especializadas.

A agricultura também entrou na pauta da entrevista. ACM Neto comentou a crise enfrentada por produtores de cacau, com queda de preços e concorrência com produto importado. Ele criticou ainda a extinção da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), afirmando que a medida reduziu o apoio técnico aos pequenos produtores.

O prefeito de Jequié, Zé Cocá, também comentou a assistência técnica oferecida ao produtor rural. Segundo ele, o atendimento estadual é insuficiente para acompanhar de forma efetiva quem vive da produção no campo.

“O governo finge que dá e nós produtores fingimos que recebemos. O governo do estado manda uma assistência técnica, chega na casa do produtor hoje e ele volta daqui a 60 dias”, afirmou.

Durante a agenda, o grupo político também tratou das eleições de 2026. ACM Neto afirmou perceber um ambiente favorável à mudança no estado e disse que a estratégia de sua pré-campanha passa por ampliar a presença em cidades pequenas e médias, onde avalia que teve desempenho inferior na eleição anterior.

“Existe hoje um sentimento muito forte nas pessoas de mudança. A frustração com Jerônimo. Na passada, a gente acabou tendo uma vantagem grande nas maiores cidades e uma desvantagem também grande nas menores e médias cidades. Hoje, nosso sentimento é que a gente preserva a vantagem que tinha nas grandes cidades e encurta muito a desvantagem nas pequenas e médias”, declarou.

Ângelo Coronel, que rompeu com a base do PT, também comentou a mudança de posição política. Ele disse que deixou o grupo governista por discordar do discurso adotado pela legenda.

“Eu já não aguentava mais, confesso a vocês, um discurso enfadonho, achando que falar da pobreza é um céu. Eu queria que o PT naquela oportunidade falasse da prosperidade para nossa gente, não falasse só de pobreza”, afirmou.

Questionados sobre violência contra a mulher, feminicídios e falta de estrutura especializada em várias regiões, os participantes relacionaram o tema ao quadro geral da segurança pública. João Roma afirmou que há municípios sem delegacias em funcionamento adequado e criticou a falta de suporte do governo estadual às forças policiais.

“Hoje tem município que sequer tem delegacia funcionando. Não há respaldo do governo para que a nossa força policial possa atuar. Pelo contrário, o governo muitas vezes faz cara de paisagem, abandona a região”, disse.

A visita a Guanambi integrou uma agenda regional de ACM Neto e aliados no sudoeste baiano. No município, o evento político ocorreu paralelamente à ExpoGuanambi 2026, que segue até domingo, 17 de maio, no Expo Center Guanambi, com feira de animais, leilões, estandes, torneio leiteiro, parque de diversões e shows.

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