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Cuidado com a Língua - PLEONASMO VICIOSO: QUE MANIA DE REPETIR AS COISAS

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Tiago Marqueshttps://agenciasertao.com/
Tiago Marques é redator e editor do site Agência Sertão. Trabalha com produção de conteúdo noticioso para rádio e internet desde 2015.
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Olá, eu sou Fernanda Araújo e estou aqui em mais uma segunda-feira, dentro Mix 96, para trazer a vocês as dicas mais Bakanas sobre a nossa Língua Portuguesa. É nesta hora gostosa do almoço que, estando em família, tornamo-nos mais aptos a aprender. É por isso que nos preocupamos em oferecer os melhores conteúdos para enriquecer o seu almoço.

Bem... A nossa Língua Portuguesa muitas vezes prega muitas peças, não é mesmo? Por isso temos que estar sempre atentos à ela. Além de nos preocuparmos com os concursos e vestibulares que estão acontecendo em nossa região e em nosso país, devemos também nos atentar a essas questões em nossa dia-a-dia uma vez que somos reflexo daquilo que falamos.  Pensando nisso, o Cuidado com a Língua está aqui para ajudar você.

No programa de hoje, trataremos sobre um equívoco comum na nossa língua e, não posso mentir, cometido até por nós professores uma vez que se torna um vício. Já ouviram falar dos tais PLEONASMOS VICIOSOS? Pois bem... Esse é nosso assunto de hoje.

Quem aí, do outro lado do radinho, nunca se dirigiu a um amigo ou familiar fazendo uso das seguintes frases:

  • “Entra pra dentro, menino”;
  • “Vi com esses olhos que a terra há de comer”;
  • “Eu tenho certeza absoluta disso”; ou então
  • “Ganhei hoje uma surpresa inesperada!”?

Acredito que todos nós já fizemos uso dessas frases e de outras similares, não é mesmo? Entretanto casos ouvintes, nesses termos acontecem um dos casos mais comuns de erros na nossa Língua; os famosos pleonasmos viciosos.

Ao contrário das figuras de linguagem, que representam realce e beleza às mensagens emitidas, os vícios de linguagem são palavras ou construções que vão de encontro às normas gramaticais. Os vícios de linguagem costumam ocorrer por descuido, ou ainda por desconhecimento das regras por parte do emissor. Observe:

Diferentemente do pleonasmo tradicional, tem-se pleonasmo vicioso quando há repetição desnecessária de uma informação na frase.

Exemplos:

“Entrei para dentro de casa quando começou a anoitecer”. Isso é obvio, caro ouvinte. Quem entra é sempre para dentro de algum lugar. Então, não se faz necessário repetir termos que se assemelhem nessa construção, como é o caso de entre e dentro.

“Hoje fizeram-me uma surpresa inesperada.” Outra redundância. Se a festa é surpresa, é evidente que ela é inesperada.

“Encontraremos outra alternativa para esse problema”. Aqui também o erro se repete. Se é outra, logo é uma nova alternativa.

Assim como nós, os cantores também acabam aderindo à licença poética e cometendo esses erros drasticamente. Querem vê? Toca Raul!

(EU NASCI HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS)

Nessa canção, Raul Seixas exagera na utilização do pleonasmo. Aqui, ele comente um erro que muitos de nós cometemos em nossas produções. HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS. E por que isso é errado? Você deve estar se perguntando ai em casa. Existe aqui um erro porque o verbo HAVER – já falado aqui em programas anteriores – na sua forma semântica temporal já remete ao passado, de modo que não há necessidade de utilizar outra expressão que também se refira ao passado, como é o caso do advérbio ATRÁS que pode se referir também a tempo. Nesse caso, dizer “há dez anos atrás” é cometer uma redundância, um pleonasmo vicioso, que não é bem aceito na nossa gramática. O certo, então, seria: Há dez anos ou Dez anos atrás.

Portanto, tome mais cuidado na hora de produzir seus textos – escritos ou orais – muitas palavras desempenham sentidos iguais e, por isso, não podem ser empregadas juntas na frase. Entendeu?

Uma última observação só para fixar: o pleonasmo é considerado vício de linguagem quando usado desnecessariamente. A partir de hoje, não diga mais:

1 – Vi com os olhos – pois se vemos é lógico que é com os olhos. Diga apenas “vi”.

2 – Não diga que conheceu um vereador municipal – pois se é vereador, é obvio que é do município. Diga apenas que conheceu um vereador.

3 – E por fim, não mande ninguém “entrar pra dentro”, “subir pra cima”, “descer pra baixo”, “rever de novo”, pois se entramos é para dentro; se subimos é para cima; se descemos é para baixo; e se revemos é certeza de que é de novo.

As pegadinhas da nossa língua tendem sempre a nos apertar, não é mesmo? Mas não se preocupe com isso, pois estamos aqui todas as segundas-feiras para auxiliar você e ajuda-lo a desfazer essas confusões. Afinal, só Cuidado com a Língua se preocupa com o seu Português.

Envie sua dúvida para a gente que responderemos com maior prazer. Você pode fazer isso através das redes sociais, pelo site da guanambifm.com.br ou pelo aplicativo da Guanambi FM. O que você não pode nunca é permanecer com esta dúvida. Abuse demais de nós... Opa! Só abuse, não é? Pois se é abusar, já é demais... Viram como é viciante? Até eu estou caindo nessa...   Cuidado com a Língua! Ela nos prega peças todos os dias. Portanto, fique conosco!

Toda segunda-feira, dentro do Mix 96, Cuidado com a Língua, comigo, Fernanda Araújo.

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