Foto: Joana Martins / Agência Sertão

Por Joana Martins | Agência Sertão

Durante uma sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Guanambi, na noite desta segunda-feira (25), a professora Maria Anita, da Escola Municipal Rômulo Almeida denunciou os descasos das gestões municipais durante anos com a unidade de educação. Outros professores da unidade escolar estiveram presentes na reunião ordinária da Câmara Municipal.

A escola funciona em um espaço improvisado, no bairro São Francisco. No local funcionava o antigo BNB Clube. O imóvel foi adquirido pela Prefeitura de Guanambi em 2005, por meio de negociações com o Banco do Nordeste.

A promessa era que o local seria reformado e com estrutura adequada para os alunos das zona rural que tiveram suas escolas extintas, só que isso não aconteceu, como contou a professora Maria Anita – “Os alunos que vieram das escolas extintas tiveram a promessa de uma escola integral, só que isso até hoje não aconteceu. E em 2010, com parte da estrutura iniciada, a escola passou a receber alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I e também os alunos do fundamental II”.

Atualmente a escola atende mais de 800 alunos, sendo cerca de 80% provenientes da zona rural do município. “Esse quadro de alunos é dividido nos turnos matutino e vespertino, e recebemos alunos a partir dos 3 anos e meio de idade”, relatou a professora.

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A estrutura da escola é precária no requisito de a acessibilidade e espaços de lazer e recreação, no qual compromete o bem estar e a educação das crianças. “Alguns banheiros de uso dos alunos  está necessitando passar por reformas, o pátio apresenta buracos e trechos sem piso, não proporciona condições para a recreação das crianças. Os computadores do laboratório de informática não funcionam”, relatou a professora. 

Além dessas denúncias, a professora ressaltou que o parque infantil, que é da época em que o local funcionava como clube, representa perigo eminente, devido aos ferros enferrujados dos brinquedos. Há ainda duas piscinas, sendo que uma está soterrada e a outra servindo para acúmulo de água.

A equipe da Agência Sertão foi ao local e constatou os fatos. O registro fotográfico mostra o local, onde é possível ver brinquedos quebrados, muito mato e outras irregularidades.  Os professores acreditam que a precariedade do espaço coloca em risco a vida das crianças e adolescentes.

Mato toma conta  da piscina soterrada – Foto: Joana Martins / Agência Sertão
Brinquedos abandonados apresentam ferragens enferrujadas – Foto: Joana Martins / Agência Sertão
O local que é destinado para o lazer dos alunos está interditado para a segurança deles. Foto: Joana Martins/ Agência Sertão

Tantas estruturas em situação precária favorecem as chances de acidentes na escola. Uma funcionária relatou um caso de picada de escorpião ocorrido no ano passado “No ano passado mesmo, uma criança na Educação Infantil foi picada  aqui na brinquedoteca por um escorpião”. O fato foi confirmado por outros funcionários. 

Na escola existem crianças que precisam de atenção especial, além de um local adaptado para suas necessidades. “Temos crianças especiais, como uma menina que é deficiente visual, e um menino que tem os membros inferiores amputados. Só que até hoje não chegou ninguém para acompanha-lós”, disse a funcionária. Em seguida ressaltou – “a menina tem um tempo conosco e não consegue explorar tanto as aulas e nem o local,  já o menino é mais complicado, porque precisamos pegá-lo no colo para conseguir chegar ao refeitório e a várias outras localidades da escola”, contou a funcionária. 

Única rapa de acessibilidade que oferece acesso ao refeitório da escola . Foto: Joana Martins / Agência Sertão

A prefeitura construiu algumas rampas com a intenção de garantir acessibilidade para os alunos, no entanto, insuficientes. É possível ver que não existe apoio para os alunos  passarem,  nem cobertura, o que dificulta e aumenta o risco em dias chuvosos. Além disso, é necessário subir uma escada para concluir o trajeto e chegar ao refeitório. 

Ainda sobre a situação do refeitório, uma funcionária lembra que o local suporta menos de 50 alunos. Através da imagem é possível ver menos de 20 cadeiras. “Refeitório? Adaptamos este aqui. Sem cadeiras. Não são suficientes para todos, alguns sentam no chão e outros comem em pé mesmo. Servimos a merenda primeiro para as crianças menores e depois para os mais velhos. O que temos é só isso”, disse uma merendeira.

O espaço reservado para o refeitório. No entanto, é pequeno para a quantidade de alunos. Foto: Joana Martins/ Agência Sertão.

De acordo com o relato da professora na Câmara de Vereadores, a parte pedagógica da escola também sofre com a precariedade. “A unidade escolar não conta com coordenador pedagógico, conforme estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e Leis municipais que regulamentam à educação”, disse no pronunciamento.

Durante a sessão da Câmara de Vereadores, foi aprovado um requerimento do vereador Agostinho Lira (PSDB), para convocar a secretária de Educação Maristela Cavalcante para prestar esclarecimentos sobre a situação da escola. O vereador Rafael Macedo (PT), disse que já agendou uma visita a escola e uma reunião com prefeito para pedir providências.

Em contato com a Secretaria de Educação, Maristela Cavalcante, afirmou que no inicio da gestão foram realizados vários reparos na unidade de educação, como; construção de um murro para limitar o acesso das crianças nos locais de perigo, uma quadra poliesportiva e pequenos reparos. No entanto, no momento a prefeitura não possui recursos para mais investimentos na escola, haja visto que existem mais 35 unidades escolares.

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