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O presidente Jair Bolsonaro disse que tem “pronto na mesa” um decreto para “considerar essencial toda atividade exercida pelo homem ou mulher que seja indispensável para levar o pão de cada dia pra casa”, mas que se sente ameaçado por “todos os lados” por defender o direito do brasileiro de voltar ao trabalho.

“Sei que tem ameaça até de buscar meu afastamento sem amparo legal pra isso”, denunciou. As declarações foram dadas em entrevista ao programa do jornalista Augusto Nunes na rádio Jovem Pan, na noite desta quinta-feira (02/04).

Ao longo do dia, Bolsonaro voltou a subir o tom contra governadores como João Doria (PSDB), de São Paulo, por causa das medidas de isolamento social impostas por eles para conter o contágio da população pelo coronavírus.

“Nossa despesa total no combate ao coronavírus está na casa dos R$ 600 bilhões, é uma conta que a gente não esperava, caríssima, mas bem demonstra nossa preocupação”, disse, “mas eu fui à Ceilândia e a situação dos ambulantes, que são 38 milhões no Brasil, é desesperadora”, disse ele.

Falta humildade a Mandetta

Bolsonaro disse ainda que nenhum de seus ministros é ‘indemissível’ e que ‘falta humildade’ ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Ao ser questionado sobre as declarações do presidente, Mandetta disse que está trabalhando e não viu a entrevista.

“Olha, o Mandetta já sabe que a gente esta se bicando há algum tempo. Não pretendo demití-lo no meio da guerra. Em algum momento, ele extrapolou. Respeitei todos os ministros, ele também. A gente espera que ele dê conta do recado. Tenho falado com ele. Ele está numa situação meio… Se ele se sair bem, sem problema. Nenhum ministro meu é indemissível” disse na mesma entrevista à rádio Jovem Pan.

Bolsonaro disse que, “em alguns momentos”, Mandetta teria que “ouvir um pouco mais o presidente da República”.

“Ele (ministro) tem responsabilidade, sim. Ele cuida da Saúde, o Paulo Guedes cuida da Economia, e eu entro aqui no meio para cuidar das duas áreas”, concluiu.

Em seguida, reforçou não ter nenhum problema com o ministro da Economia, mas disse que “Mandetta quer fazer a vontade dele muitas vezes”. E emendou:

—  Pode ser que ele esteja certo —  disse, reforçando, porém, que “falta humildade” ao ministro da Saúde.

As declarações ocorrem no momento em que se contabilizam 8.044 casos e 324 óbitos no país.

O desalinhamento entre Mandetta e Bolsonaro tem se intensificado nos últimos dias. Na última terça-feira, o presidente se reuniu com médicos para conversar sobre estudos sobre a cloroquina, que Bolsonaro tem tratado como uma possível solução para o Covid-19, sem a presença do seu ministro da Saúde. Mandetta soube por meio de médicos do convite para o encontro. Mais tarde, o ministro citou “critérios políticos” ao comentar sua ausência do planejamento.

Em outro revés para a autonomia do ministro da Saúde no enfrentamento à crise, Jair Bolsonaro decidiu acabar com as entrevistas coletivas concedidas diariamente pela equipe da pasta. Com isso, os anúncios do governo federal, inclusive os da área da saúde, foram concentrados no Palácio do Planalto, também como uma forma de transmitir a imagem de união entre saúde e economia.

“Não comento o que o presidente da República fala. Ele tem mandato popular, e quem tem mandato popular fala, e quem não tem, como eu, trabalha”, declarou Mandetta à Folha.

Bolsonaro afirmou que está faltando “humildade” ao ministro da Saúde. “Tá faltando um pouco mais de humildade pro Mandetta”, disse o presidente. “O Mandetta em alguns momentos teria que ouvir um pouco mais o presidente da República.”

Jejum contra o coronavírus

A Casa Civil e a Presidência da República encaminharam essa determinação para todos os ministérios, numa tentativa de “alinhar a narrativa” do governo federal em torno do tema. Por isso, a decisão foi de concentrar os anúncios na figura do presidente.

Jair Bolsonaro aproveitou para acenar aos evangélicos na entrevista desta quinta-feira. Ele lembrou ser católico e sua esposa, Michelle Bolsonaro, ser evangélica antes de pedir que a população fizesse jejum para ajudar no combate ao coronavírus.

“Um pedido aqui, um dia de jejum para quem tem fé, em nome de que o Brasil fique livre desse mal” disse ele.

Com informações do Metrópoles e do O Globo

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