Foto: Tiago Marques / Agência Sertão

Ainda falta muito para o fim do inverno e o início da primavera, estação onde normalmente ocorrem as primeiras chuvas na região de Guanambi, no semiárido baiano. No entanto, as previsões de logo prazo começam a aportar o início do período chuvoso.

Os modelos meteorológicos analisados nos últimos 10 dias pela Agência Sertão estão indicando chuva somente ao fim da primeira quinzena de outubro na região. As previsões apontam que o mês de setembro deve ser seco, podendo chover apenas de forma isolada em algumas regiões.

Se essas tendências se confirmarem, as primeiras chuvas significativas de 2020 devem ocorrer em data próxima ao fim da estiagem agrícola de 2019. No último 22 de outubro, choveu 19 mm em Guanambi após 192 dias sem chuvas significativas.

Os modelos, no entanto, não permitem ainda prever como será o padrão de chuvas na região nessa próxima temporada. Não se sabe ainda se o padrão da última temporada chuvosa será repetido, com poucas chuvas nos últimos meses do ano e muita chuva a partir de janeiro, ou se vai chover com regularidade no decorrer da primavera e início do verão.

Vale ressaltar que o cenário pode mudar de acordo com as alterações nas condições e nos fenômenos climáticos que regulam o período de chuva. Os modelos apontam tendências que geralmente sofrem alterações. As últimas análises internacionais indicam que há o que se chama no momento de “possível La Niña em observação”. Caso se confirme, a tendência é de o outubro-novembro-dezembro seja mais chuvoso que o normal no centro e norte do Brasil e com um pouco mais seco em São Paulo, Mato Grosso do Sul e toda a Região Sul.

Enquanto a chuva não vem, as temperaturas amenas continuam prevalecendo na região. No último sábado (25) foi registrada a menor temperatura do ano em Guanambi. Os termômetros marcaram 15,7º.

Última temporada chuvosa

Cheia do riacho Belém em Guanambi no mês de Janeiro – Rômulo Gonçalves – Take Produções

As chuvas que caíram entre o final de 2019 e início de 2020 na região de Guanambi foram as maiores desde 2006. No centro da cidade, o pluviômetro da Agência Sertão registrou acumulado de 797 mm, 200 mm a mais do que o registrado pelo mesmo pluviômetro no período anterior. Em algumas regiões mais altas, próximas à Serra Geral, como nas regiões dos distritos de Guirapá (Pindaí) e Morrinhos (Guanambi), alguns moradores registraram acumulados de até 1.100 mm.

Toda essa chuva contribuiu para amenizar a seca característica da região. Embora ainda falte pelo menos dois meses para as próximas chuvas, a paisagem vista agora é bem diferente do que se via há um ano. Ainda há bastante água retida nas lagoas, barragens e represas, e ainda corre por alguns rios e córregos nas regiões de maior altitude, o que é bastante raro nesta região semiárida.

Reservatórios

Lago da Barragem de Ceraíma – Guanambi (BA) / Foto: Tiago Marques | Agência Sertão

Os principais reservatórios de água de Guanambi perderam pouco volume após 105 dias de estiagem. O lago da barragem do Poço do Magro atingiu seu maior volume no final de abril, 69%. Passados três meses, o volume ainda está em 62%, segundo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf).

Já a barragem de Ceraíma chegou a 100% de sua capacidade ao final do período chuvosos. Mesmo com o uso múltiplo da água, incluindo abastecimento do Perímetro Irrigado e entorno, além da complementação do sistema de abastecimento humano, o reservatórios ainda possui 93,3% de sua capacidade.

Os dois reservatórios do município de Urandi, Estreio e Cova da Mandioca, estão em situações diferente dos reservatórios de Guanambi. O primeiro chegou a ter 44% de seu volume útil no fim de abril e agora está com 31%, enquanto o segundo atingiu 21% e agora está com apenas 13%.

Rio São Francisco

Rio São Francisco em Carinhanha (BA) – Foto: Tiago Marques | Agência Sertão

Os três grandes reservatórios do rio São Francisco estão com volumes bastante significativos. Três Marias, em Minas Gerais, armazena 85,4% de sua capacidade, enquanto Sobradinho e Itaparica, ambos na Bahia, têm 80,41% e 91,58% respectivamente.

O bom volume nas hidroelétricas garantem a defluência regulada em todo o curso do Velho Chico, deixando no passado as imagens do rio bastante seco registradas nos anos anteriores.

Veja: Após seca mais severa da história, rio São Francisco tem maior cheia em oito ano

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