Foto: Isac Soares / Agência Sertão

Após semanas seguidas com temperaturas amenas, o clima frio deve mudar em Guanambi nos próximos dias. As previsões apontam que as temperaturas máximas devem voltar a ultrapassar a casa dos 30ºC e as mínimas não devem ficar muito distantes dos 20ºC na cidade.

O inverno avança para sua segunda metade e os dados meteorológicos apontam que o frio mais intenso deve ficar mais raro, embora as madrugadas e manhãs devam continuar com temperaturas mais amenas até o final da estação. Isso devido devido à queda da umidade relativa do ar, fenômeno que favorece a perda radioativa, contribuindo para o resfriamento a noite e de madrugada.

Nos últimos dias, já houve ligeira diminuição do frio na cidade. Nesta terça-feira (11), a temperatura mínima foi de 19,3ºC e a máxima de 29,8ºC. Os dados são da estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada no Aeroporto Municipal Isaac Moura Rocha.

Na semana passada, o cenário era bem diferente, no último dia 3 por exemplo, a mínima foi de 17ºC, com sensação térmica de 11ºC. No entanto, o dia mais frio do ano até aqui foi registrado em 25 de junho, com mínima de 15,7ºC e sensação térmica de 12ºC.

Guanambi completa 119 dias de estiagem agrícola nesta quarta-feira (12), período sem chuvas de pelo menos 10 mm. As previsões para o início do período chuvoso ainda são incertas, mas os principais modelos meteorológicos apontam que as primeiras chuvas expressivas na região devem ocorrer em meados de outubro.

Em setembro, os modelos apontam pouca probabilidade de chuva, podendo ocorrer apenas algumas pancadas de forma isolada em algumas regiões.

Última temporada chuvosa

Cheia do riacho Belém em Guanambi no mês de Janeiro – Rômulo Gonçalves – Take Produções

As chuvas que caíram entre o final de 2019 e início de 2020 na região de Guanambi foram as maiores desde 2006. No centro da cidade, o pluviômetro da Agência Sertão registrou acumulado de 797 mm, 200 mm a mais do que o registrado pelo mesmo pluviômetro no período anterior. Em algumas regiões mais altas, próximas à Serra Geral, como nas regiões dos distritos de Guirapá (Pindaí) e Morrinhos (Guanambi), alguns moradores registraram acumulados de até 1.100 mm.

Toda essa chuva contribuiu para amenizar a seca característica da região. Embora ainda falte pelo menos dois meses para as próximas chuvas, a paisagem vista agora é bem diferente do que se via há um ano. Ainda há bastante água retida nas lagoas, barragens e represas, e ainda corre por alguns rios e córregos nas regiões de maior altitude, o que é bastante raro nesta região semiárida.

Reservatórios

Lago da Barragem de Ceraíma – Guanambi (BA) / Foto: Tiago Marques | Agência Sertão

Os principais reservatórios de água de Guanambi perderam pouco volume após 105 dias de estiagem. O lago da barragem do Poço do Magro atingiu seu maior volume no final de abril, 69%. Passados três meses, o volume ainda está em cerca de 62%, segundo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf).

Já a barragem de Ceraíma chegou a 100% de sua capacidade ao final do período chuvosos. Mesmo com o uso múltiplo da água, incluindo abastecimento do Perímetro Irrigado e entorno, além da complementação do sistema de abastecimento humano, o reservatórios ainda possui 91,5% de sua capacidade.

Os dois reservatórios do município de Urandi, Estreio e Cova da Mandioca, estão em situações diferente dos reservatórios de Guanambi. O primeiro chegou a ter 44% de seu volume útil no fim de abril e agora está com 30%, enquanto o segundo atingiu 21% e agora está com apenas 12%.

Rio São Francisco

Rio São Francisco em Carinhanha (BA) – Foto: Tiago Marques | Agência Sertão

Os três grandes reservatórios do rio São Francisco estão com volumes bastante significativos. Três Marias, em Minas Gerais, armazena 82,4% de sua capacidade, enquanto Sobradinho e Itaparica, ambos na Bahia, têm 77,59% e 97,1% respectivamente.

O bom volume nas hidroelétricas garante a defluência regulada em todo o curso do Velho Chico, deixando no passado as imagens do rio bastante seco registradas nos anos anteriores.

Veja: Após seca mais severa da história, rio São Francisco tem maior cheia em oito ano

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