PSL e PT coligação aliança eleições
Divulgação / PM São Pedro dos Ferros

O Partido Social Liberal (PSL) e o Partido dos Trabalhadores (PT), antagonistas nas eleições presidenciais de 2018, estão juntos em muitos municípios em todo o país nas eleições de 2020. Em Minas Gerais, os dois partidos estão na mesma coligação em 21 dos 853 municípios do Estado.

Em dois destes municípios, um membro do PSL é o candidato a prefeito e um filiado do PT é candidato a vice-prefeito na mesma chapa. Nos outros 19, os candidatos a prefeito são de outros partidos.

Em São Pedro dos Ferros, município de 7.706 habitantes localizado na zona da mata do Estado, o atual prefeito Newton Avelar (PSL) e o atual vice-prefeito Topeca (PT) concorrem à reeleição. Em 2016, quando foi eleito, Avelar estava no PP, durante o mandato ele migrou para o PSL. Para fechar a miscelânea política, PSD, PL e PCdoB completam a coligação.

Outro município com o mesmo cenário é São João da Lagoa, de 4.932, localizado no Norte do Estado. O ex-prefeito João Ramos (PSL) é candidato a mais um mandato e tem como candidato a vice-prefeito Pablo Sena (PT). O PROS é o terceiro partido que compõem a coligação.

Uma curiosidade em relação à coligação ocorre no município de Pintópolis, de 7.524 habitantes, também localizada no Norte do Estado. Neste município, PT e PSL estão coligados na única chapa registrada para concorrer às eleições. O atual prefeito Ley Lopes (Patriota) é candidato único à reeleição e reuniu todos os partidos em sua coligação.

Municípios de Minas onde PSL e PT formam alianças: Bom Repouso; Capitólio; Conceição da Aparecida; Corinto; Extrema; Ijaci; Itabirito; João Pinheiro; Mercês; Nova Era; Pescador; Piedade Dos Gerais; Pintópolis; Pocrane; Santa Juliana; Santa Rita do Itueto; Santana do Deserto; São João da Lagoa; São João Nepomuceno; São Pedro dos Ferros; Vargem Alegre.

No Maranhão, em São Pedro dos Crentes, os dois partidos também estão juntos na eleição, porém os candidatos a prefeito e vice são do PSL. Em Pernambuco, no município de Trindade, uma chapa foi formada com candidata a prefeita do PSL, candidato a vice-prefeito do DEM e apoio do PT na coligação. Enquanto que em Urucurituba, no Amazonas, a situação é inversa. Sabugo (PT) é candidato a prefeito e tem como candidato a vice, Leoncio Tundis (Republicanos), com o apoio do PSL e de mais nove partidos.

Intervenção

No Estado de São Paulo, no município de Itapirapuã Paulista, a petista Sirlene Almeida Camargo foi escolhida como candidata a prefeita em uma chapa com o policial militar Aguinaldo Domingues da Cruz, do PSL. No entanto, a composição da coligação foi mudada após interferência do diretório estadual do partido, a aliança foi desfeita e o PSL ficou de fora da eleição majoritária, já que o candidato adversário é do PCdoB, partido fortemente ligado à esquerda. O vice escolhido acabou sendo Fernando da Farmácia, também do PT.

A aliança foi ironizada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), adversário do grupo que comanda o diretório paulista. “Parabéns @bozzellajr, presidente do PSL em SP, e seus apoiadores (ironia)”, escreveu o filho do presidente da República, em referência ao também deputado federal Júnior Bozzella, que preside a sigla no estado. Depois que o acordo com o PT veio à tona, no entanto, Bozzella se movimentou para que o namoro não vire casamento.

Segundo o Jornal Extra, Júnior Bozzella enviou um comunicado à representação do partido em Itapirapuã Paulista. O texto lembra que a aliança com o PT descumpre uma resolução do PSL, que proíbe coligações com petistas, e pede providências.

“Toda documentação recebida por esta (direção) estadual relatava o policial Cruz como pré-candidato a prefeito. Em nenhum momento, esta estadual foi comunicada de tal coligação”, escreveu Bozzella.

No texto, o presidente do PSL em São Paulo afirma que, caso a aliança não seja desfeita pela direção municipal, ele promoverá uma intervenção no diretório: “O não atendimento deste comunicado implicará na imediata destituição do diretório municipal e em medidas cabíveis para anulação de tal coligação”.

Rivalidade

Foi pelo PSL que o presidente Jair Bolsonaro foi eleito. Ele deixou o partido após desavenças com as lideranças, no entanto, muitos de seus apoiadores permanecem na legenda. No outro espectro da política brasileira está o PT, partido do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, principal opositor do atual presidente.

Os dois partidos tiveram os melhores desempenhos nas eleições de 2020 para a Câmara dos Deputados. Enquanto o PT elegeu 54 parlamentares, o PSL elegeu 52. Atualmente, com as mudanças no cenário político, o PT tem 53 cadeiras e o PSL tem 41. Mesmo com a diminuição, os dois partidos continuam formando as maiores bancadas na Casa Legislativa.

Ao contrário do PT, conhecido há décadas, o PSL ganhou expressão com a filiação do atual presidente. Em alguns municípios a legenda já existia, mas se expandiu após a vitória eleitoral de 2018.

Nos municípios pequenos, os partidos políticos não costumam seguir a mesma rivalidade praticada a nível nacional. É comum encontrar coligações com partidos que possuem diretrizes completamente antagônicas, mas que conseguem se alinhar a nível local. Com a fragmentação partidária, onde há 33 partidos formalizados, muitas vezes, um partido político se torna simplesmente uma sigla para quem quer concorrer às eleições.

 

 

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