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Família nega ter dado autorização para Prefeitura de Candiba remover corpo da frente do túmulo do pai do prefeito

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Tiago Marques
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Tiago Marques é redator e editor do site Agência Sertão. Trabalha com produção de conteúdo noticioso para rádio e internet desde 2015.
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A polêmica promovida pela Prefeitura de Candiba no último fim de semana, rendeu protestos e indignação durante os últimos dias. Três corpos recém sepultados foram removidos das covas abertas em frente ao imponente túmulo do pai do prefeito Reginaldo Prado (PSD), no chamado cemitério velho da cidade.

Em nota, a prefeitura, por meio da Secretaria de Administração, negou irregularidades no procedimento e disse que as famílias dos mortos autorizaram a transferência para outro local. No entanto, familiares de um dos sepultados negaram que tenham permitido a remoção. O familiar de outro morto disse que o prefeito tentou falar com ele por telefone, mas não pode atender a ligação no momento. Quando foi finalmente avisado e chegou ao cemitério, a remoção dos corpos já havia sido iniciada sem que ele tivesse assinado qualquer autorização.

 

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Nesta quarta-feira (2), uma nota divulgada pela irmã de um homem sepultado no último dia 23, vítima da Covid-19, repercutiu nas redes sociais. Segundo a publicação, a família foi surpreendida no último sábado (29) com a notícia da remoção do corpo do familiar e de mais duas pessoas sepultadas na mesma semana.

Na justificativa da prefeitura, a remoção ocorreu por necessidade de se fazer obras para ampliar a capacidade de sepultamento do local e que as famílias foram informadas e autorizaram o procedimento. Também foi dito que o local fica alagado no período chuvoso e que o coveiro foi inexperiente ao realizar os sepultamentos naquele lugar. As informações têm sido veemente negadas na cidade.

Os argumentos da prefeitura não convenceram a irmã do falecido, que negou ter sido informada nem tampouco autorizado o procedimento. Ela também estranhou o fato das remoções terem sido realizadas a noite, e lamentou o fato de ter sido usada uma retroescavadeira para reabrir as covas.

A nota pública seguiu com vários questionamentos. “Se as obras já estavam planejadas, por que permitiram enterrar três corpos naquele local? Por que somente os três corpos foram removidos, mas a sepultura do pai do prefeito (já bastante antiga), estabelecida praticamente na mesma área, ficou intacta?”, disse ao destacar os indícios de privilégio ao gestor.

Remoções ocorreram em frente ao túmulo onde está sepultado o pai do prefeito – Reprodução

Ela também disse que, apesar da prefeitura ter alegado autorização das famílias, nenhuma prova foi apresentada pelo poder público municipal e classificou a medida como crime de vilipêndio, uma vez que não se sabe da existência da adoção de procedimentos legais e técnicos. “Restamos nove irmãos, e nenhum de nós foi notificado acerca da medida tomada pela prefeitura, mais precisamente pela pessoa do prefeito Reginaldo Martins Prado. Meu irmão deixou a esposa e dois filhos, sendo o mais velho quem o acompanhou afetuosa e dedicadamente durante todo o período da doença”, disse.

Por fim, a irmã do sepultado diz que a família já estava sofrendo com o luto e agora ainda mais com o desrespeito ao cadáver do familiar e aos seus entes queridos. “Todos estamos abalados, e muitos de nós tementes de represálias e mais humilhações (visto que já fomos chacoteados pelas redes sociais, com justificação publicada pela prefeitura de que os familiares autorizaram o evento). Nosso relacionamento com nosso irmão sempre foi frequente e amoroso, unindo-nos – mesmo os que moram distante – para dar suporte tanto a ele quanto à família em todo o período de sua convalescência. Resta-nos, então, trazer o caso a público, para que atitudes como esta não sejam uma constante na nossa cidade”, concluiu.

A Prefeitura de Candiba ainda não se manifestou sobre o desmentido em relação à sua nota. Nas redes sociais, moradores demostraram solidariedade às famílias afetadas com a medida e repudiaram a atitude do gestor municipal.

O prefeito Reginaldo Prado está em seu quinto mandato à frente da prefeitura de Candiba. Sua trajetória política é marcada por diversas acusações de irregularidades e corrupção, resultando na abertura de diversos processos, bloqueio de bens e a uma condenação por participação em esquemas de irregularidades no transporte escolar no município de Riacho de Santana. A última polêmica ganhou repercussão nacional em janeiro, quando ele foi vacinado após o município receber o primeiro lote dos imunizantes contra a Covid-19, mesmo não fazendo pare de nenhum grupo prioritário.

O vilipêndio de cadáveres é considerado crime contra o respeito aos mortos, previsto no Código Penal Brasileiro, com pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa. No entanto, a reportagem não tomou conhecimento de denúncias formais contra o prefeito e sua administração. O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) ainda não se manifestou sobre o assunto.

 

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