As temperaturas devem subir nos próximos dias em grande parte do interior da Bahia, com possibilidade de máximas próximas dos 40°C, principalmente no Oeste e no Vale São-Franciscano. As projeções meteorológicas indicam manutenção do tempo seco, pouca nebulosidade e forte aquecimento durante as tardes.
Entre as cidades onde o calor deve ser mais intenso estão Ibotirama, Bom Jesus da Lapa, Barreiras e Correntina. As previsões disponíveis no portal de meteorologia da Agência Sertão, baseadas em modelos globais, apontam máximas se aproximando dos 40°C em parte dessas localidades ao longo dos próximos dias.
O aumento das temperaturas ocorre justamente em uma área que já vem registrando tardes muito quentes. No sábado (22), Correntina chegou a 38,7°C, maior temperatura registrada pelas estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na Bahia nos últimos sete dias.
Na sequência apareceram Barreiras, com 37,8°C no domingo (23); Barra, com 37,1°C; Queimadas, com 36,3°C; Brumado, com 36,1°C; e Guanambi, com 36°C, todos no sábado. Também foram registradas máximas de 35,7°C em Curaçá, 35,5°C em Luís Eduardo Magalhães, 34,9°C na estação de Delfino, em Umburanas, e 34,7°C em Irecê, de acordo com os dados das estações automáticas do Inmet.
Os registros mostram que o aquecimento já está concentrado principalmente no interior. Correntina e Barreiras, que lideraram o levantamento, estão entre os municípios onde as previsões apontam manutenção das temperaturas elevadas nos próximos dias.
Oeste e Vale São-Franciscano devem ter calor mais intenso
Em Ibotirama, no Vale São-Franciscano, os modelos indicam sequência de dias quentes, com temperaturas avançando para valores próximos dos 40°C. O município possui histórico de registrar algumas das maiores temperaturas da Bahia durante períodos de forte aquecimento no fim do inverno e na primavera.
Situação semelhante é prevista para Bom Jesus da Lapa, também no Vale São-Franciscano. A combinação de baixa umidade, ausência de chuva e poucas nuvens favorece grande amplitude térmica: as temperaturas ficam mais amenas durante a madrugada e sobem rapidamente depois das primeiras horas da manhã.
No Oeste, Barreiras e Correntina aparecem entre os principais pontos de atenção. Com a persistência da massa de ar seco e o aumento da temperatura previsto pelos modelos, valores ainda maiores podem ocorrer.
A região de Luís Eduardo Magalhães, São Desidério, Santa Maria da Vitória, Cocos, Jaborandi e outros municípios do Oeste também tende a permanecer sob condições de calor intenso e umidade baixa. Na Região de Guanambi, a máxima prevista é de 38ºC no dia 2 de setembro.
Embora haja possibilidade de máximas de 40°C, isso não significa, isoladamente, a ocorrência de uma onda de calor. Esse tipo de evento depende da intensidade da anomalia de temperatura em relação à climatologia e da persistência do calor durante vários dias.
Tempo seco favorece elevação das temperaturas
A condição atmosférica predominante no interior baiano ajuda a explicar a elevação dos termômetros. Com pouca formação de nuvens, baixa disponibilidade de umidade e ausência de chuva, uma parcela maior da radiação solar chega à superfície durante o dia.
O Informativo Meteorológico Semanal do Inmet, válido entre 24 e 31 de agosto, indica que as chuvas no Nordeste devem permanecer concentradas principalmente na faixa litorânea. À medida que se avança para o Agreste e o Sertão, não há previsão de chuva para o período.
Esse padrão é comum durante a estação seca no interior da Bahia. No entanto, as temperaturas previstas para os próximos dias ficam elevadas mesmo para o período em diversas áreas do estado.
A previsão climática do Inmet para agosto já apontava temperaturas acima da média em praticamente todo o Nordeste. No Matopiba, região que inclui o Oeste da Bahia, as anomalias podem chegar a cerca de 1,5°C acima da média climatológica. Para as demais áreas nordestinas, a projeção indicava valores até 1°C superiores à média do mês.
Baixa umidade acompanha o calor
Além das altas temperaturas, a umidade relativa do ar deve continuar baixa em boa parte do interior.
O Inmet emitiu alertas que abrangem 165 municípios da Bahia entre segunda-feira (24) e quinta-feira (27). Os avisos atingem principalmente o Vale São-Franciscano, Extremo Oeste, Centro-Norte e Centro-Sul do estado.
Nas áreas sob alerta laranja, a umidade pode cair para valores entre 20% e 12% durante as horas mais secas do dia. Municípios como Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Correntina e Ibotirama estão entre os locais incluídos nos avisos.
As menores taxas de umidade normalmente coincidem com o período em que as temperaturas atingem os maiores valores, entre o início e o meio da tarde.
A combinação entre calor, baixa umidade e vegetação ressecada também aumenta as condições favoráveis à propagação de queimadas e incêndios florestais, sobretudo no Oeste, Vale São-Franciscano e áreas do Centro-Sul.
Agosto já tinha previsão de temperaturas acima da média
O cenário observado nesta última semana de agosto está inserido em um mês que já apresentava tendência de temperaturas elevadas.
Segundo a previsão climática divulgada pelo Inmet no fim de julho, agosto de 2026 deveria registrar temperaturas acima da média em grande parte do Brasil. No Nordeste, os maiores desvios positivos foram projetados justamente para áreas do Matopiba, que reúne partes da Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí.
O órgão também destacou que a combinação de temperaturas mais altas e predomínio de tempo seco aumenta a demanda de água das culturas. Para a agricultura irrigada no Vale do São Francisco, por exemplo, o cenário tende a elevar a necessidade de irrigação.
A elevação das temperaturas no fim de agosto também sinaliza a transição para o período mais quente do ano em várias áreas do interior baiano. No Oeste e no Vale São-Franciscano, setembro e outubro costumam apresentar tardes muito quentes antes da regularização das chuvas da primavera.
El Niño está se fortalecendo
Outro elemento do cenário climático de 2026 é o El Niño, atualmente em desenvolvimento no Oceano Pacífico Equatorial.
O fenômeno começou em junho e vem se intensificando. Em atualização divulgada em 14 de agosto, o Inmet informou, com base na Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que há probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte nos trimestres de setembro a novembro, outubro a dezembro e novembro a janeiro.
A NOAA também considera elevada a possibilidade de que o episódio continue se fortalecendo até o fim de 2026. A atualização de 13 de agosto classificou o sistema de alerta como El Niño Advisory e apontou mais de 90% de chance de um evento muito forte durante o segundo semestre e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027.
No Brasil, o El Niño costuma favorecer chuvas acima da média no Sul e precipitações mais irregulares nas regiões Norte e Nordeste. O Inmet informou que, a partir de outubro, o fenômeno pode contribuir para totais de chuva abaixo da média em áreas dessas duas regiões.
No entanto, o calor previsto para esta semana no interior da Bahia não deve ser atribuído exclusivamente ao El Niño. Eventos de temperatura de poucos dias são determinados principalmente pelas condições atmosféricas de curto prazo, como presença de massas de ar seco, circulação dos ventos, nebulosidade e estabilidade da atmosfera. O El Niño atua em uma escala maior, alterando probabilidades e padrões climáticos ao longo de meses.
Calor ainda pode aumentar antes da chegada das chuvas
A tendência para os próximos dias é, portanto, de manutenção do tempo predominantemente seco no interior baiano, com maior aquecimento principalmente no Oeste e no Vale São-Franciscano.
Ibotirama, Bom Jesus da Lapa, Barreiras e Correntina estão entre as cidades onde as temperaturas podem se aproximar dos 40°C, enquanto outras áreas do interior devem registrar máximas acima de 35°C.
O cenário também deve continuar acompanhado por baixos índices de umidade, grande amplitude entre as temperaturas da madrugada e da tarde e ausência de chuva em boa parte do interior.
Esse padrão tende a se tornar mais frequente à medida que setembro se aproxima. No interior da Bahia, especialmente nas áreas mais continentais, o fim do inverno e o início da primavera correspondem a uma das fases de maior aquecimento do ano. A mudança mais consistente das condições costuma ocorrer com o avanço da estação chuvosa, cuja regularização varia de uma região para outra e, neste ano, também será acompanhada sob influência do fortalecimento do El Niño.
