O Brasil concluiu oficialmente o desligamento da TV analógica e liberou a faixa de 700 MHz para ampliar a internet móvel 4G, segundo anúncio feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na última segunda-feira, 9 de março, em cerimônia na sede do órgão. A medida finaliza a transição para a TV digital em todo o território nacional e reorganiza o uso do espectro.
De acordo com o Ministério das Comunicações, a Anatel é vinculada à pasta, e o encerramento do processo libera uma faixa considerada estratégica para expandir a cobertura de internet, especialmente em regiões com menor infraestrutura de telecomunicações. A mudança também consolida a adoção da TV digital na radiodifusão aberta brasileira.
O processo foi coordenado pelo Grupo de Implementação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired) e teve sua conclusão efetiva em dezembro de 2025, após anos de implementação em todo o país. A iniciativa envolveu a redistribuição de canais e a migração do sinal analógico para o digital.
Para o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a conclusão do processo representa um marco na modernização das comunicações no país. “O desligamento da TV analógica marca um avanço importante para o Brasil. Além de levar mais qualidade de imagem e som para milhões de brasileiros com a TV digital, essa transição também permitiu liberar espectro para ampliar a cobertura da internet móvel 4G, fortalecendo a conectividade e a inclusão digital em todo o país”, destacou o ministro.
O presidente do Gired, Octavio Penna Pieranti, apresentou um balanço da política pública. Ao longo do processo de digitalização da televisão no Brasil: Mais de 14 mil canais analógicos foram desligados, 20 mil canais digitais passaram a integrar o plano básico de radiodifusão e mais de 14 milhões de kits de TV digital foram distribuídos para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
A distribuição gratuita dos equipamentos teve o objetivo de manter o acesso à TV aberta durante a transição, com qualidade de imagem e som, e de assegurar a continuidade do serviço para famílias de baixa renda. O processo também foi associado ao aumento da disponibilidade de espectro para serviços móveis.
Além da modernização da radiodifusão, o desligamento permitiu a liberação da faixa de 700 MHz, usada para ampliar a cobertura da internet móvel 4G, com potencial de atendimento em áreas com menor presença de redes. A reorganização do espectro também viabilizou investimentos em novas redes e na ampliação do acesso à internet móvel em diferentes regiões.
Segundo o presidente do Gired, o saldo remanescente do processo de digitalização, cerca de R$ 500 milhões, está sendo direcionado para novos projetos nas áreas de telecomunicações e radiodifusão. Na área de telecomunicações, os recursos financiaram leilões reversos para implantação de estações 4G em distritos que ainda não contavam com cobertura móvel.
No setor de radiodifusão, parte dos investimentos será destinada a iniciativas estratégicas, como TV 3.0, nova geração da televisão aberta; Digitaliza Brasil, programa de expansão da TV digital; e Brasil Digital, voltado ao fortalecimento da infraestrutura de comunicação. A cerimônia na sede da Anatel reuniu conselheiros e ex-presidentes do Gired, que mencionaram a atuação do grupo na condução do processo de digitalização.
Com a conclusão do desligamento, o país encerra a etapa de transição para a televisão digital e mantém a reorganização do espectro para a expansão de redes móveis, além de abrir espaço para projetos voltados a novas tecnologias de transmissão e conectividade.
