Foto: Julia Vasquez/Rádio Caçula

Guanambienses e malhadenses podem está trabalhando em situação análoga a escrava em Três Lagoas no Mato Grosso do Sul. Os profissionais saíram de suas cidades com a promessa de receber no mínimo dois mil reais por mês e ter todos os seus direitos reservados, bem como, comida adequada e moradia fornecida pela contratada. No entanto, a promessa não se cumpriu.

Os profissionais afirmam em um vídeo para o site Perfil News que trabalham 12h por dia e em situação precária. “Não tem papel higiênico, não tem estrutura para ficar aqui e queremos ir embora”, diz o malhadense Edione Araujo de 24 anos. O alojamento mostrado pela reportagem, é uma casa que acomoda 13 pessoas e tem apenas uma banheiro.

O guanambiense André de Sousa de 26 anos, afirma que dorme com mais duas pessoas em um colchão de solteiro. “Eu sou pedreiro e vim na promessa de um valor bom e cheguei aqui o valor foi reduzido. Ele (recrutador) falou que o valor de pedreiro era R$ 3.500,00 e vim para ajudar minha família, aqui ele falou que ficava R$ 2.500,00 e para a gente trabalhar até 6h da tarde e no sábado até meio dia”, explicou Sousa.

É relatado no vídeo que a empresa não oferece uma alimentação adequada para os profissionais, que já dormiram com fome. “Já ficamos até sem jantar porquê a comida não dá e tem vez que a gente come salsicha, ovo, mortadela… A comida é feita aqui mesmo, mas a pessoa responsável disse que hoje é o último dia devido a falta de pagamento”, relatou um contratado.

Outra reclamação dos operários é o fardamento, apenas um por profissional. “Não tem como lavar e secar para o outro dia, ficamos com as roupas sujas”, frisou. O guanambiense Sousa também afirmou que não foi realizado nenhum exame admissional pela empresa – “Perguntaram se alguém estava sentido alguma coisa, falamos que não e pronto”.

Questionando sobre as medidas de prevenção para a Covid-19, o guanambiense também disse que não há medidas no alojamento. “O álcool que tem no barraco é o que trouxemos na Bahia”, afirmou ele. Além desses profissionais da região Guanambi, há outros que estão há 45 dias sem receber o salário.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil Pesada do Bolsão Sul Mato Grossense (Sintiespav), Nilvado Moreira está acompanhando os profissionais e afirmou que vai realizar uma denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho para apurar a situação. Moreira também afirma que profissionais foram contratos para trabalharem na empresa Prumo de Ouro, terceirizada da Construtora Sial que é responsável pela Construção de Hospital Geral, obra do Governo do Estado.

Posted by Ricardo Ojeda on Friday, June 5, 2020

Um outro site de uma rádio local, afirmou que após denúncia, fez contato com o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul – gestor dos recursos públicos das obras do Hospital Regional – através do Programa Toninha Campos e a assessoria comprometeu-se em fazer contato com a empreiteira para dar uma solução aos fatos na sexta-feira (5). Ainda não houve manifestação.

A Agência Sertão entrou em contato com o recrutador da região de Guanambi por meio de dois telefone e não obteve resposta. A esposa de um guanambiense, também relatou a situação do companheiro em um comentário e a Agência entrou em contato com ela,mas não teve retorno. Confira o comentário:

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