O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou nesta segunda-feira, 5 de janeiro, o Informativo Meteorológico nº 1/2026, com balanço das condições registradas entre 31 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026 e a previsão para os próximos dias.
O documento destaca a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), com impacto nas chuvas do Sudeste, além de instabilidades no Norte, sistemas transientes no Sul e a influência de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), que tende a reduzir a formação de chuva em parte do Nordeste.
A seguir, a previsão por regiões, com indicação de chuva, temperaturas e possíveis reflexos na agricultura.
Região Norte
Chuva: as maiores instabilidades devem se concentrar em Amapá, Acre, Amazonas, Rondônia e no sul do Pará e do Tocantins, com acumulados estimados entre 80 mm e 150 mm em sete dias. Em outras áreas, a tendência é de volumes abaixo de 50 mm, com chuva mais localizada no sul do Amapá, norte do Pará e em grande parte de Roraima.
Temperaturas: o Inmet projeta máximas elevadas no norte do Pará e no sul de Roraima e do Amapá, entre 34°C e 36°C, enquanto nas demais áreas as máximas devem ficar abaixo de 32°C. As mínimas seguem altas, em geral entre 22°C e 24°C, podendo superar 26°C em pontos do Amazonas e do Pará.
Impactos na agricultura: a combinação de calor e umidade favorece o desenvolvimento das lavouras, mas pode aumentar pressão de doenças fúngicas e dificultar operações de campo onde houver acumulados mais elevados. Em áreas com chuva irregular, a atenção se volta para a reposição de umidade no solo e para o manejo de pastagens.
Região Nordeste
Chuva: a semana começa com a atuação do VCAN no leste da região, com deslocamento lento em direção ao oeste da Bahia. A previsão indica precipitação no Maranhão, centro-sul do Piauí e no oeste e sul da Bahia, com pancadas e possibilidade de trovoadas pelo menos até a quarta-feira. No restante do Sertão, a tendência é de baixa umidade, e no litoral predomina tempo firme na maior parte da semana. A partir de quinta-feira, a previsão é de tempo mais estável em quase todo o Nordeste, com exceção do sul do Maranhão.
Temperaturas: as máximas permanecem elevadas, com destaque para o norte do Maranhão e do Piauí e áreas do Sertão — incluindo o nordeste da Bahia — na faixa de 38°C a 40°C. No sul da Bahia, as máximas variam entre 26°C e 30°C na primeira metade da semana e voltam a superar 30°C entre os dias 8 e 9. As mínimas previstas ficam entre 16°C e 20°C na Chapada Diamantina, enquanto no centro-norte do Nordeste seguem mais altas, entre 22°C e 26°C.
Impactos na agricultura: calor intenso e umidade baixa em partes do Sertão tendem a elevar a demanda hídrica de culturas e pastagens, aumentando a necessidade de manejo de irrigação onde houver estrutura disponível. Nas áreas com pancadas no oeste e sul da Bahia, o cenário pode favorecer recarga de umidade do solo, mas também trazer risco localizado de enxurradas e erosão em eventos mais fortes.
Região Centro-Oeste
Chuva: a previsão aponta chuvas volumosas entre Goiás e Mato Grosso, principalmente no leste de MT, com acumulados que podem ultrapassar 150 mm. A partir de sexta-feira, a área mais chuvosa tende a se orientar entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, enquanto Goiás pode ter tempo mais aberto no fim de semana. Para o Distrito Federal, o indicativo é de acumulados abaixo de 50 mm.
Temperaturas: o Inmet projeta máximas elevadas no oeste de MS e no sul de MT, em torno de 38°C, podendo ultrapassar esse valor em 7 de janeiro. No norte de MT, no DF e na maior parte de Goiás, as máximas devem variar entre 26°C e 28°C, com elevação mais generalizada no dia 9. As mínimas podem cair abaixo de 20°C no sul de MS entre os dias 5 e 6, enquanto no centro-norte de MS e no sul de MT seguem entre 24°C e 26°C.
Impactos na agricultura: volumes altos e concentrados aumentam o risco de encharcamento e atrasos em colheita e transporte, além de favorecer erosão em áreas expostas. Onde o calor predomina, a evapotranspiração aumenta e pode acelerar o consumo de água no solo; o planejamento de operações no campo tende a depender das janelas de tempo mais firme, especialmente em Goiás no fim de semana.
Região Sudeste
Chuva: o Inmet indica fortes chuvas na primeira metade da semana devido à ZCAS, inicialmente em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. A partir de terça-feira, a convergência de umidade pode levar a acumulados em torno de 50 mm por dia no litoral do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, no litoral de São Paulo; no interior paulista, há previsão de tempestades na terça e quarta-feira. A partir de quinta-feira, o tempo tende a abrir na maior parte da região, com menor umidade, e fim de semana mais firme, com exceção do sul e oeste de SP.
Temperaturas: a expectativa é de declínio das temperaturas na primeira metade da semana entre o RJ, centro-leste de MG, sul do ES e leste de SP, com máximas que não devem superar 26°C nessas áreas. Entre 8 e 9 de janeiro, as máximas voltam a subir e podem superar 32°C em grande parte do Sudeste.
Impactos na agricultura: chuva persistente associada à ZCAS pode elevar risco de alagamentos localizados e dificultar trabalhos mecanizados. Em áreas de café, hortifruti e grãos, a atenção se volta para o manejo de solo e drenagem, além de monitoramento de doenças favorecidas por alta umidade. Com a melhora do tempo na segunda metade da semana, aumentam as chances de retomada de operações no campo.
Região Sul
Chuva: o começo da semana tende a ser de tempo mais estável, mas, com a aproximação de sistemas frontais a partir de quarta-feira, o Inmet prevê tempestades no Rio Grande do Sul e, nos dias seguintes, em toda a região. Os maiores acumulados previstos podem chegar a 150 mm.
Temperaturas: a primeira metade da semana deve ter declínio das mínimas por atuação de alta pós-frontal, com valores entre 10°C e 16°C em grande parte do Sul e possibilidade de 8°C em áreas serranas do RS e de SC. Ao longo da semana, as temperaturas voltam a subir, com máximas que podem superar 32°C no oeste da região.
Impactos na agricultura: a alternância entre manhãs mais frias e retorno de calor, junto com a previsão de tempestades, pode trazer risco de acamamento e danos pontuais por vento em lavouras mais expostas, além de impactos na qualidade de colheitas em áreas com chuva forte. O cenário também favorece recuperação de umidade do solo onde vinha chovendo menos.
Resumo das condições observadas (31/12 a 04/01)
No período analisado, os maiores acumulados de chuva do país ficaram acima de 50 mm em áreas do sul de Rondônia, centro-norte de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, sul de Minas Gerais, leste de São Paulo, norte e litoral do Paraná e litoral de Santa Catarina. Em contraste, grande parte do Nordeste teve volumes abaixo de 10 mm.
No Nordeste, o Inmet registrou chuva mais significativa no centro-sul do Maranhão, no Piauí e no oeste da Bahia, com destaque para Irecê (98,6 mm) e Guanambi (40,6 mm). Também houve registro de umidade relativa mínima inferior a 20% em estações como Monteiro (PB), Ouricuri (PE) e Itabaianinha (SE), chegando a 19% entre 3 e 4 de janeiro.
No Sudeste, as chuvas acima de 40 mm em grande parte de Minas Gerais, sul do Espírito Santo, norte do Rio de Janeiro e oeste de São Paulo foram associadas ao primeiro episódio de atuação da ZCAS em 2026; no recorte de cinco dias, houve acumulados como 119,6 mm em Passos (MG) e registro de vento forte, com 100,8 km/h em Belo Horizonte (MG).
Em temperatura, o Inmet apontou máximas elevadas no Nordeste, com registros como 40,5°C em Pão de Açúcar (AL) e 39,0°C em Itaberaba (BA), além de mínimas mais baixas no oeste baiano e parte de Pernambuco, incluindo 18,2°C em Irecê (BA) e 18,4°C em Vitória da Conquista (BA).
Veja o informativo nº 1/2026 na íntegra
